A Campanha Indígena é uma luta política construída por nós da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), junto com nossas organizações regionais de base. Ela nasce do acúmulo histórico das nossas lutas e da nossa presença na construção política do país, reunindo reflexões e práticas sobre a ocupação dos espaços institucionais. Em 2026, diante do cenário eleitoral, lançamos nossa mensagem de construção da Campanha Indígena durante nossa principal mobilização nacional, o Acampamento Terra Livre (ATL), afirmando esse espaço como instância central da nossa articulação nacional.

Foi em 2017, também durante o ATL, que tornamos pública pela primeira vez essa construção, com nosso chamado “Por um Parlamento cada vez mais indígena”. Naquele momento, denunciamos a ausência de representantes comprometidos com os povos indígenas e apontamos o avanço de setores ligados ao agronegócio, de grupos fundamentalistas religiosos, de militares e de forças de extrema direita dentro do Congresso Nacional, que atuam diretamente contra nossos direitos.

Esse posicionamento foi construído em um contexto de aprofundamento da crise política no Brasil. Após o golpe que retirou a presidenta Dilma Rousseff do poder, o governo de Michel Temer impulsionou medidas que afetaram diretamente os povos indígenas. Entre elas, o Parecer nº 001/2017 da Advocacia-Geral da União, que impôs a tese do marco temporal como diretriz para a Administração Pública Federal. Essa medida travou processos de demarcação, ampliou as inseguranças jurídicas, contribuiu para o avanço de crimes contra nossos povos e agravou conflitos territoriais, dentro de uma agenda antidemocrática contra nossos direitos originários e golpista contra a Constituição Federal.

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