Crédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) participará da 17ª Sessão da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que será realizada de 17 a 28 de agosto de 2026, em Ulan Bator, Mongólia. A organização levará ao debate internacional as perspectivas, demandas e propostas dos povos indígenas brasileiros para o enfrentamento da desertificação, da degradação da terra e da seca.
A participação da APIB parte do reconhecimento de que os povos indígenas estão entre os mais diretamente afetados pelos processos de degradação ambiental e pelos efeitos das secas prolongadas. Em diferentes biomas brasileiros, os territórios indígenas sofrem com o desmatamento, a grilagem, a mineração, a expansão das cadeias de produção de commodities e a pressão sobre as águas e os modos de vida tradicionais.
Esses processos ameaçam não apenas os ecossistemas, mas também as fontes de água, a soberania alimentar, a biodiversidade, os conhecimentos tradicionais, as práticas culturais e a própria continuidade dos modos de vida dos povos indígenas.
Para a APIB, o enfrentamento à desertificação não pode ser tratado apenas como uma agenda técnica ou ambiental. Trata-se também de uma agenda de direitos indígenas, justiça climática, proteção territorial e reparação histórica.
Nesse sentido, a demarcação e proteção das terras indígenas, o fortalecimento da gestão territorial e ambiental indígena, o financiamento direto aos povos indígenas, a garantia da consulta e do consentimento livre, prévio e informado (CLPI), a rastreabilidade de toda a cadeia de produção de commodities e a responsabilização das atividades econômicas que degradam os biomas são medidas centrais para enfrentar a degradação da terra, a seca e os impactos da crise climática.
Evento paralelo no Pavilhão Brasil
Durante a COP17, a APIB, em parceria com a sua organização regional de base, a Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME), realizará um evento paralelo no Pavilhão Brasil, localizado na C2 da Blue Zone.
A atividade será realizada no dia 19 de agosto, das 17h às 18h (Horário local), com o título:
Olhares indígenas sobre a desertificação: Caminhos para enfrentar a degradação da terra e a seca prolongada nos biomas brasileiros.
O painel reunirá lideranças indígenas brasileiras para debater o avanço da desertificação e os efeitos das secas nos biomas brasileiros a partir das perspectivas dos povos indígenas, com atenção aos impactos sobre os territórios indígenas e sobre os modos de vida tradicionais.
A atividade buscará afirmar que o combate à desertificação exige respostas que ultrapassem as abordagens exclusivamente técnicas ou ambientais. A proteção dos territórios, a garantia dos direitos indígenas e o fortalecimento das formas próprias de gestão territorial e ambiental são elementos fundamentais para enfrentar a degradação dos biomas e construir respostas efetivas à crise climática.
O painel também abordará medidas como o financiamento direto aos povos indígenas, a garantia da consulta e do consentimento livre, prévio e informado (CLPI), a rastreabilidade das cadeias de produção de commodities e a responsabilização das atividades econômicas que promovem a degradação ambiental.
A atividade será dirigida a representantes de governos, negociadores, organizações da sociedade civil, academia, financiadores, organismos internacionais e demais atores envolvidos na construção de respostas à desertificação, à seca e à degradação da terra.
A participação da APIB na COP17 reafirma que não há enfrentamento à desertificação sem direitos indígenas, nem justiça climática sem proteção dos territórios indígenas.