Número inédito é 125% maior que o registrado em 2014. A disputa para deputado federal também alcança uma marca histórica, com 75 candidaturas indígenas. No dia 19 de agosto, a APIB e suas organizações regionais apresentam a Bancada Indígena 2026.

>>> dados atualizados dia 17.08.2026 às 10h (horário de Brasília) | fonte: sig.tse.jus.br  

>>> os dados registrados nesta publicação podem ser modificados sempre que o TSE atualizar os dados oficiais de candidaturas.

>>>  em relação à versão anterior, que tinha 191 registros, houve uma redução de uma candidatura. A candidatura de Gil do Povo, do PT de São Paulo, para deputado estadual, deixou de aparecer na nova base. Com isso, o PT passa de 38 para 37 candidaturas e o total de candidaturas a deputado estadual passa de 100 para 99.

As Eleições 2026 começam com um novo marco para a presença indígena na política institucional. Levantamento realizado pela Campanha Indígena, iniciativa da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), a partir dos registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSaE), reúne 191 candidaturas de pessoas que se declararam indígenas em todo o país. É o maior número registrado em eleições gerais desde que o TSE passou a incluir dados de cor e raça das candidaturas, em 2014.

A série mostra uma ampliação contínua dessa presença. Em 2014, foram registradas 85 candidaturas indígenas. O número passou para 133 em 2018 e chegou a 186 em 2022. Agora, em 2026, são 191. Em doze anos, o número cresceu 125%. 

A disputa para a Câmara dos Deputados alcança uma marca própria. São 75 candidaturas indígenas a deputado federal em 2026. Em 2014 eram 25, número que passou para 39 em 2018 e 59 em 2022. Em doze anos, a quantidade triplicou. As assembleias legislativas reúnem a maior quantidade de candidaturas indígenas neste ano, com 99 nomes. Outras três pessoas concorrem a deputado distrital no Distrito Federal.

A lista também reúne quatro candidaturas ao Senado, três aos governos estaduais e duas a vice-governador. Há ainda cinco candidaturas às suplências do Senado.

As candidaturas indígenas estão presentes em 26 unidades da federação. A Amazônia Legal concentra 80 das 191 candidaturas registradas em 2026, o equivalente a 41,9% do total. Na região Sudeste, são 37 candidaturas, seguida pelo Nordeste, com 34, pelo Centro-Oeste, com 27, e pelo Sul, com 14.

Essa presença alcança estados inseridos nos seis biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Pampa. A distribuição mostra que a participação indígena nas eleições reúne experiências políticas construídas em diferentes territórios e realidades do país.

“Chegar a 191 candidaturas indígenas representa um dado eleitoral e a prova concreta de uma caminhada histórica de resistência e de cobrança dos nossos povos por espaço e respeito no poder. Essa realidade evidencia a ausência que ainda persiste nas estruturas de decisão do país. Estamos presentes em 26 unidades da federação, com 64 povos registrados na disputa e uma marca histórica de 75 candidaturas à Câmara dos Deputados. Essa presença nasce dos territórios e amplia, com força política, nossa exigência de participação efetiva nos rumos do Brasil”, avalia Marcos Sabaru um dos coordenadores políticos da Campanha Indígena. 

Mulheres indígenas

As mulheres também ocupam uma parcela cada vez maior dessa presença indígena nas eleições. Das 191 candidaturas registradas em 2026, 84 são de mulheres, o equivalente a 43,8% do total. Em 2014, primeiro ano da série do TSE, eram 29 mulheres entre 85 candidaturas indígenas. O número passou para 49 em 2018 e chegou a 85 em 2022. Em 2026, com 84 candidaturas, a presença das mulheres permanece próxima ao maior patamar já registrado nas eleições gerais.

“As mulheres indígenas chegam a esta eleição com 84 candidaturas, representando quase 44% de toda a presença indígena na disputa. Em doze anos, o número de mulheres candidatas cresceu cerca de 190%. Esse avanço carrega a força das mulheres que organizam as lutas nos territórios e agora ampliam sua presença nos espaços de decisão”, reforça Alana Manchineri uma das coordenadoras da Campanha Indígena. 

Essa trajetória mostra que a ampliação da presença indígena nas urnas também tem sido acompanhada por uma participação maior das mulheres na disputa pelos espaços de decisão.

Povos presentes na disputa

Os dados registrados pelo TSE apontam que 64 povos estão presentes na disputa eleitoral de 2026. O povo Macuxi, em Roraima, concentra 13 candidaturas, o maior número entre os povos identificados na base. Em seguida aparece o povo Guarani Kaiowá, com 12 candidaturas em Mato Grosso do Sul. A base também registra oito candidaturas Guaraní, sete Mundurukú, seis Múra e seis Terena.

Os dados mostram que o crescimento da participação indígena nas eleições também se expressa na presença de diferentes povos e territórios na disputa política do país.

Povos registrados no TSE nº de Candidaturas
Macuxi 13
Guarani Kaiowá 12
Guaraní 8
Munduruku 7
Mura 6
Terena 6
Tupinambá 5
Wapichana 5

8 povos com maiores números de candidaturas registradas (fonte:  sig.tse.jus.br )

Território de luta

Para a Campanha Indígena, as eleições também são um território de luta e de disputa sobre o Brasil que queremos construir. A presença indígena nos espaços políticos faz parte de uma caminhada que floresce nos territórios e carrega o acúmulo histórico das lutas dos povos indígenas.

Em 2026, a APIB e suas organizações regionais de base levam para o processo eleitoral Nosso Território, Nossa Vida, uma proposta construída a partir das experiências do movimento indígena. O documento apresenta um projeto de país que afirma que o futuro do Brasil começa nos territórios e precisa ser construído com os povos participando das decisões sobre seus rumos.

A Campanha Indígena chama as candidaturas indígenas e as candidaturas aliadas às lutas por terra e território a conhecerem Nosso Território, Nossa Vida, fazerem sua adesão e incorporarem suas propostas às campanhas. A ideia é levar esse projeto de país para o diálogo com os territórios e para a disputa eleitoral.

O recorde de 191 candidaturas indígenas em 2026 amplia esse momento da participação política dos povos indígenas. No dia 19 de agosto, a APIB e suas organizações regionais de base apresentam a Bancada Indígena 2026, formada por candidaturas indicadas pelas organizações de base.

“A Bancada Indígena que apresentaremos no dia 19 nasce das organizações de base e leva para as eleições um projeto construído pelo movimento indígena. A Bancada marca um novo momento da caminhada para aldear a política, fortalecendo candidaturas construídas a partir dos territórios e colocando as propostas do movimento indígena no debate sobre o futuro do Brasil. Nosso Território, Nossa Vida coloca os territórios no centro do futuro do Brasil e chama as candidaturas a incorporarem essas propostas em suas campanhas. Aldear a política significa levar as propostas dos nossos povos para os espaços onde as decisões sobre o país são tomadas”, reforçou Dinamam Tuxá coordenador executivo da APIB. 

Uma caminhada construída antes das urnas

A presença dos povos indígenas na política institucional brasileira atravessa décadas. Em 1969, Manoel dos Santos, conhecido como Seu Coco, do povo Karipuna, foi eleito vereador em Oiapoque, no Amapá. Em 1976, Cacique Ângelo Kretã, do povo Kaingang, conquistou uma vaga de vereador em Mangueirinha, no Paraná, durante a ditadura militar. Seis anos depois, Mário Juruna, do povo Xavante, tornou-se o primeiro deputado federal indígena da história do Brasil.

A presença indígena também avançou nos governos municipais. Em 1990, Iracy Cassiano, do povo Potiguara, foi eleita prefeita de Baía da Traição, na Paraíba. Em 1996, João Neves, do povo Galibi-Marworno, chegou à prefeitura de Oiapoque, no Amapá.

A partir de 2014, essa trajetória passou a ser acompanhada com mais precisão nas estatísticas eleitorais, quando o TSE incluiu os dados de cor e raça no registro das candidaturas. Um levantamento do pesquisador Luís Roberto de Paula estima que pelo menos 448 indígenas foram eleitos no Brasil entre 1976 e 2012. 

Em 2017, a APIB publicou o manifesto “Por um Parlamento cada vez mais indígena”, colocando de forma pública a necessidade de ampliar a presença dos povos indígenas nos espaços de decisão. A eleição seguinte marcou outro momento dessa caminhada. Em 2018, Joenia Wapichana tornou-se a primeira mulher indígena eleita deputada federal, enquanto Sonia Guajajara integrou uma chapa presidencial e levou a presença indígena para o centro do debate político nacional.

Essa trajetória ganhou uma articulação nacional própria em 2020, com a criação da Campanha Indígena pela APIB e suas organizações regionais de base. Naquele ano, 2.212 indígenas registraram candidaturas nas eleições municipais, crescimento de 27% em relação a 2016. Foram eleitos 236 indígenas, representando 71 povos em diferentes regiões do país.

Em 2022, a Campanha Indígena organizou a Bancada Indígena com 30 candidaturas indicadas pelas organizações regionais da APIB. As candidaturas mobilizaram cerca de 500 mil votos. Sonia Guajajara, por São Paulo, e Célia Xakriabá, por Minas Gerais, foram eleitas deputadas federais. Naquele ano, 186 pessoas indígenas registraram candidaturas nas eleições gerais, mais que o dobro das 85 registradas em 2014.

Dados gerais participação indígena nas eleições 2026 | fonte: sig.tse.jus.br 

Indicador 2026
Total de candidaturas indígenas 191
Deputado estadual 99
Deputado federal 75
Senador 4
Governador 3
Deputado distrital 3
1º suplente 3
Vice-governador 2
2º suplente 2
Candidaturas proporcionais 178
Povos envolvidos 64

Mulheres indígenas

Ano Mulheres indígenas Total de candidaturas indígenas Participação das mulheres
2014 29 85 34,1%
2018 49 133 36,8%
2022 85 186 45,7%
2026 84 191 44%

 

Aldear a Política

Eleição Total Deputado federal Deputado estadual Deputado distrital
2014 85 25 52 2
2018 133 39 79 1
2022 186 59 111 2
2026 191 75 99 3

 

 

Sobre a APIB | é a instância nacional do movimento indígena organizado e é formada por sete organizações regionais de base. São elas a Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME); a Articulação dos Povos Indígenas da Região Sudeste (ARPINSUDESTE); a Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (ARPINSUL); a Comissão Guarani Yvyrupa (CGY); o Conselho do Povo Terena; a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB); e a Grande Assembleia do Povo Guarani e Kaiowá (ATY GUASU). | https://apiboficial.org/sobre/ 

Sobre a Campanha Indígena | é uma iniciativa da APIB e de suas organizações regionais que fortalece a organização dos povos indígenas para disputar os rumos do país, dentro e fora das instituições. 

Sobre Nosso Território, Nossa Vida | é um projeto de país construído pelo movimento indígena a partir das experiências e propostas dos povos e de seus territórios. A iniciativa surge dentro da Campanha Indígena para colocar os territórios no centro das decisões sobre o futuro do Brasil e apresenta propostas para orientar o diálogo com candidaturas, movimentos sociais e a sociedade durante as eleições de 2026. | nossoterritorionossavida.org 

Contato para imprensa: [email protected] | (65) 996866289 Caio Mota