22/abr/2020
Nos últimos dois dias, mais três indígenas morreram por Covid-19, em Manaus, (AM) e as primeiras confirmações de indígenas contaminados no sudeste do País foram registradas. Os casos suspeitos já chegaram em todas as regiões do Brasil. A falta de testes rápidos e a inexistência de um plano do Governo Federal para proteção aos povos ancestrais amplia a cada dia o risco de um novo genocídio.
Adenilson Menandes dos Santos, 77, faleceu no dia 20/04, e seu irmão Antônio Menandes, 72, morreu ontem, 21/04, por Covid-19. Eles eram do povo Apurinã e viviam em Manaus, cidade com o maior número de indígenas contaminados hoje. Antônio Frazão dos Santos, 61, do povo Kokama, também morreu ontem, 21/04, em Manaus, e é o décimo indígena que perde a vida para a doença. Mas os registros do Governo Federal contabilizam apenas 4 indígenas mortos até o momento. Isto acontece porque a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), segue sem fazer o atendimento e o registro dos indígenas não aldeados. Uma ação de racismo institucional que invisibiliza as vidas indígenas.
A epidemia causada pelo Coronavírus está aumentando a cada dia no Brasil e ontem, 22/04, uma mulher do povo Tupinikin, 64, foi a primeira indígena a testar positivo na região Sudeste. Ela vive na aldeia Pau Brasil, localizada no município de Aracruz, (ES), onde existem outros seis casos suspeitos. Hoje, 22/04, um indígena do povo Guarani Mbya, da Terra Indígena Jaraguá, na capital paulista, também foi confirmado com a doença.
Na nossa história, muitos povos foram dizimados pela livre circulação de doenças, como na época da invasão portuguesa ou durante a ditadura militar, quando muitas pestes foram usadas como armas biológicas para nos exterminar. Agora, em meio a uma pandemia global e diante de um governo omisso em relação à proteção dos povos indígenas, não nos calaremos ante as ameaças que a Covid 19 representa para nossa sobrevivência.
Acompanhe a luta dos povos indígenas para enfrentar a pandemia. Acesse: quarentenaindigena.info
21/abr/2020
Os primeiros casos de indígenas que testaram positivo para Covid-19 no nordeste acendem um alerta nos estados do Ceará e Pernambuco. De acordo com dados da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) divulgados no final da tarde de ontem (20), um indígena do povo Tupinambá, ainda sem idade informada, está infectado por Coronavírus e outros quatro estão entre os casos suspeitos, no Ceará. O órgão de saúde não informou até o momento quais povos estão envolvidos nestes casos. A morte de um indígena de 76 anos do povo Pitaguary com suspeita de Coronavírus no município cearense de Maracanaú segue sendo investigada.
Em Pernambuco, a Secretaria de Saúde do estado anunciou que um agente de saúde do povo Pankararu, no município de Arcoverde, está com Covid-19. Outro caso confirmado é de um indígena do povo Atikum. Ele estava com sintomas da doença há mais de 10 dias e ontem (20) a Secretaria de Saúde do município de Carnaubeira da Penha confirmou que os exames testaram positivo para Covid-19.
Com os índices mais altos de casos confirmados para coronavírus na região, segundo dados do Ministério da Saúde (MS), o estado do Ceará declarou colapso da rede de saúde na última semana e tem 92% dos municípios considerados vulneráveis à contaminação da doença. Pernambuco é o estado do Nordeste com maiores casos de mortes até o momento de acordo com dados do MS, e o governo estadual afirma que está próximo de declarar colapso na saúde devido à pandemia.
Os 14 povos indígenas que vivem no Ceará estão distribuídos em 18 municípios de grande vulnerabilidade para contaminação da Covid-19, segundo relatório da Fiocruz e da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O movimento indígena no estado trabalha de forma intensa o isolamento social das comunidades e busca suprir as demandas para garantir a segurança alimentar dos povos devido ao novo contexto gerado pela pandemia. Em Pernambuco, os dez povos que vivem no estado estão em alerta máximo e buscam cumprir as recomendações de isolamento social da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Nós, da APIB, reforçamos a necessidade do Governo Federal construir um plano emergencial para os povos indígenas e denunciamos a omissão da FUNAI para evitar um novo genocídio.
20/abr/2020
A Amazônia possui 100% dos casos de indígenas que testaram positivo para Covid-19 e mortos devido a doença, até o momento. Na última semana o número de indígenas infectados aumentou 200%. Hoje (20) existem 28 indígenas com suspeita de possuir a doença e 27 testaram positivo, segundo informações do Governo Federal. O estado do Amazonas (AM) concentra a maioria dos casos e o governo estadual já anunciou colapso na rede de saúde devido a pandemia.
É alarmante este quadro para os povos indígenas. Os atendimentos especializados em saúde no Amazonas estão concentrados em Manaus, o que eleva a vulnerabilidade de indígenas que vivem em áreas remotas no interior. Exemplo disto foram as mortes de dois indígenas, no dia 11 de abril. Um senhor de 78 do povo Tikuna, que saiu da comunidade Belém de Solimões, no município de Tabatinga, para tratamento de problemas cardíacos, em Manaus e uma senhora de 44 anos do povo Kokama, que saiu da comunidade Monte Santo, em São Paulo de Olivença, para capital amazonense realizar um tratamento para anemia hemolítica. De acordo com o Ministério da Saúde, eles foram contaminados por Covid-19 nos hospitais que estavam internados e faleceram.
Um agente de saúde do povo Baniwa de 46 anos morreu neste sábado, 18, com suspeitas de Covid-19, em Manaus. Ele era grande defensor da saúde indígena e estava na linha de frente do combate ao Coronavírus. Começou a apresentar sintomas da doença desde o dia 11 de abril e antes de morrer realizou várias denúncias sobre a falta de testes da Covid-19 para os profissionais da saúde, que estão trabalhando diretamente com pacientes vítimas da pandemia.
Reafirmamos a necessidade urgente da criação de um hospital de campanha específico para o atendimento de indígenas, em Manaus, contaminados com Coronavírus e a garantia da realização de testes rápidos para pessoas com suspeitas da doença. É necessária a revogação imediata da portaria 070/2004 para garantir que a SESAI atenda todos os indígenas, aldeados ou não. Mais de 30 mil indígenas vivem em Manaus, que concentra a maioria dos casos de contaminação por Coronavírus no AM.
18/abr/2020
No momento em que buscamos intensificar ações de proteção aos nossos territórios, devido as ameaças da pandemia da Covid-19, rR
18/abr/2020
Está confirmada a sétima morte de um indígena por Covid-19. O Tuxaua de 67 anos da etnia Sateré Maué faleceu ontem (17), no município de Maués, Amazonas. Mas para o Governo Federal apenas 3 indígenas morreram até o momento devido ao novo coronavírus. Isto acontece porque a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, não faz o atendimento e o registro dos indígenas não aldeados.
Nós da APIB repudiamos esta medida e exigimos a revogação urgente da portaria 070/2004 para garantir que a SESAI atenda todos os indígenas, aldeados ou não. É uma ação de racismo institucional que invisibiliza e desassiste os povos indígenas que vivem em áreas urbanas. Somos indígenas dentro ou fora de nossos territórios. Estamos em uma situação de grande vulnerabilidade, com risco real deste novo vírus causar outro genocídio.
Até o momento, 28 indígenas estão entre casos suspeitos e esperam resultados dos exames. 27 indígenas testaram positivo para Covid-19. A grande maioria dos casos confirmados estão no estado do Amazonas, que já declarou colapso na rede hospitalar devido o aumento dos casos de coronavírus. Estamos recebendo denúncias diárias sobre a falta de testes rápidos em muitos parentes com suspeitas em todo o Brasil e acreditamos que os dados divulgados estão subnotificados.
Nos solidarizamos com as famílias e os povos de nossos parentes que faleceram. Não são números são vidas e seguiremos lutando pela proteção dos povos indígenas.
17/abr/2020
Alerta APIB #01 Covid-19 e povos indígenas
➖sexta-feira, 16 de abril de 2020
▪️Parentes dos povos indígenas de todo o Brasil, o ‘Alerta APIB’ é um acompanhamento diário sobre a pandemia da Covid-19 na vida de nós povos indígenas.
▪️Este vírus não é só uma “gripezinha” como tenta constantemente afirmar o presidente Bolsonaro.
▪️Estamos diante de um contexto grave para vida de todos nós e por isso a APIB está lutando para que hospitais de campanha exclusivos para indígenas sejam construídos.
▪️Segundo o Ministério da Saúde, os dois indígenas que morreram, no sábado (11), foram contaminados por Coronavírus dentro dos hospitais, no Amazonas.
▪️É urgente também a aquisição de testes rápidos para que casos suspeitos sejam prontamente identificados evitando a contaminação de mais pessoas que vivem nas comunidades.
▪️A morte de um adolescente de 15 anos, no dia 9 de abril, do povo Yanomami, em Roraima, deve nos colocar em alerta máximo. Link: https://bit.ly/2VgCxyE
▪️Ele vivia em aldeia próxima a garimpos ilegais o que reforça os alertas que estamos dando sobre a necessidade de ampliar a proteção dos nossos territórios.
▪️Até o momento, 23 indígenas estão entre os casos suspeitos e esperam resultados dos exames. 23 parentes testaram positivo para Covid-19 e cinco morreram.
▪️Nós da APIB recebemos diariamente alertas de preocupação de casos suspeitos em diversos territórios e que não estão sendo testados e devidamente acompanhados.
▪️A APIB apresentou, no início do mês de março, propostas para a articulação de um plano emergencial a ser conduzido pelo Governo Federal. Link: https://bit.ly/34IH4wz
▪️Na última semana, encaminhamos aos governadores de todos os Estados a solicitação de adoção urgente de 10 medidas que precisam ser realizadas. Link: https://bit.ly/2wIDHcu
▪️Não estamos expostos apenas ao vírus, mas também ao aumento das invasões e crimes cometidos contra os nossos territórios e contra as nossas vidas.
▪️Dadas as dificuldades logísticas, a precariedade da rede de saúde e a nossa vulnerabilidade epidemiológica, é urgente a adoção de medidas para nossa proteção.
▪️Seguiremos cobrando e denunciando toda e qualquer ação e ou omissão do governo Bolsonaro, que coloque em risco nossa existência.
▪️Nós da APIB, nos solidarizamos com as famílias que perderam seus parentes por esta nova doença. Seguiremos sem trégua ou recuo, nessa luta pela vida.
14/abr/2020
Leia o regulamento abaixo e saiba como participar e propor atividades para compor a programação do Abril Vermelho, projeto da APIB para mobilizar e articular ações em defesa da vida dos povos indígenas em tempos de coronavírus.
13/abr/2020
A Articulação dos Povos Indígenas (APIB) em parceria com instituições acadêmicas (Projeto Xingu/Unifesp, Fiocruz e GT Saúde Indígena da Abrasco) apresenta algumas recomendações para a entrega de alimentos nas comunidades indígenas, visando manter as medidas de controle da Covid- 19. Seguimos as recomendações da Nota Informativa no. 03 (05/04/2020) da SESAI, sobre as orientações e cuidados na distribuição dos alimentos.
A Covid 19 é uma doença causada pelo novo coronavírus chamado de SARS Cov 2, de transmissão por contato entre pessoas e com objetos. Os estudos têm mostrado que o Covid 19 pode permanecer vivo em diversas superfícies, por vários dias. Plástico e metal, parecem ser as superfícies onde a sobrevivência do vírus é maior.
As principais medidas para evitar que o vírus se espalhe é a limpeza das mãos, evitar pôr as mãos nos olhos, boca e nariz, e dos objetos de uso diário, inclusive alimentos. Dessa forma, é importante que na distribuição de alimentos sejam tomadas medidas de segurança para evitar que as equipes de distribuição levem a doença para as aldeias.
A limpeza ou higienização dos objetos e alimentos deve ser feita com álcool 70o ou solução de hipoclorito de sódio a 0,5%. O preparo dessa água com Hipoclorito de sódio, que é a água sanitária vendida em mercados.
Cuidados a serem tomados para distribuir os alimentos nas aldeias:
1) HIGIENIZAÇÃO DOS MEIOS DE TRANSPORTE
Os carros, caminhonetes, caminhões, aeronaves, barcos, entre outros que levarão os alimentos devem ser higienizados antes de serem carregados e antes que os entregadores coloquem os alimentos, e após a entrega também.
Para todos os meios de transporte:
Lavagem com água e sabão da parte externa e dos componentes internos que possam ser lavados.
Carros, caminhonetes e caminhões:
Aplicar o álcool 70% ou hipoclorito de sódio a 0,5% nas maçanetas, bancos, painel, volante, alavanca de câmbio, freio de mão, pedais e cintos de segurança dos veículos.
Barcos:
Aplicar álcool 70% ou hipoclorito de sódio a 0,5% no assoalho, nos bancos e laterais de apoio, no motor de popa e no manche do motor.
Aeronaves:
Aplicar álcool 70% ou hipoclorito de sódio a 0,5% nas maçanetas, no painel, manche e alavancas de comando (flap, combustível etc), bancos, pedais e cintos de segurança.
2) HIGIENIZAÇÃO DAS EMBALAGENS
As embalagens de plástico e de metal devem ser higienizadas.
Caso os alimentos venham em caixas de papelão, recomenda-se abri-las e higienizar cada pacote plástico ou lata.
As embalagens de papel são mais difíceis de higienizar e devem ser evitadas. Uma sugestão é abri- las e colocar seu conteúdo em embalagens plásticas devidamente higienizadas.
Usar sacos plásticos grandes, tais como os que os vários mercados usam para embalar cestas de alimentos para montar as cestas. Esses sacos plásticos devem ser previamente higienizados.
3) CUIDADOS COM OS DISTRIBUIDORES
As pessoas que participarão das entregas, incluindo os motoristas, devem estar sem sintomas de gripe (tosse, febre, nariz escorrendo, dor de garganta), lavar as mãos com água e sabão antes de carregar os meios de transporte. Depois de carregar os alimentos, devem lavar as mãos novamente antes de entrar no carro, caminhão, caminhonete ou aeronave que foi previamente higienizada.
Atenção com os calçados que devem ser higienizados também, antes de entrar em qualquer meio de transporte utilizado
Os entregadores devem usar máscaras cirúrgicas ou caseiras, e sempre que possível, devem usar aventais e gorros. Todos esses equipamentos devem ser descartados após cada entrega.
De preferência, os entregadores não devem ter contato direto com os indígenas. O ideal é combinar previamente um local próximo fora ou na entrada da aldeia, onde os materiais deverão ser descarregados, evitando assim qualquer contato físico com as pessoas da comunidade.
4) Retirada e distribuição dos alimentos nas comunidades e aldeias
Evitar fazer filas ou aglomerações para a retirada dos produtos, que, se possível, deve ser feito somente depois que a equipe de entrega for embora.
Após a distribuição, escolher um local para desembalar os produtos, preferencialmente fora do domicílio ou em um canto isolado da residência onde não se faz alimentação.
Limpe as mãos com água e sabão antes de pegar os alimentos e durante a manipulação, não colocar a mão no rosto. Ao terminar, lavar novamente as mãos.
clique aqui e acesse o documento de recomendação de higienização na integra
11/abr/2020
A morte de um adolescente de 15 anos, do povo Yanomami, que vivia em aldeia próxima a garimpos ilegais no rio Uraricuera, em Roraima, reforça os alertas que estamos dando sobre a necessidade de ampliar a proteção dos nossos territórios, afinal, não estamos expostos apenas ao vírus, mas também ao aumento das invasões e crimes cometidos contra os nossos territórios e contra as nossas vidas.
A recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é para fazermos isolamento nas comunidades, mas como fazer isso se as invasões de madeireiros, garimpeiros e grileiros seguem violando nossos direitos e destruindo nossa natureza?
A morte do jovem Yanomami é a terceira vida indígena que perdemos, em menos de um mês, mas para o Governo Federal somente este caso foi contabilizado, visto que a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, segue insistindo em não fazer o atendimento e o registro dos indígenas não aldeados, mesmo após recomendação do Ministério Público Federal para que faça o atendimento independente de onde os indígenas vivam .
O falecimento de uma indígena, de 87 anos, do povo Borari, em Santarém, no Pará e do indígena de 55 anos do povo Mura, no Amazonas, não foram acompanhados e contabilizados pela SESAI, devendo tal conduta ser profundamente repudiada e urgente superada por meio da revogação da portaria 070/2004 garantindo que a partir disso, a Sesai passe a atender a todos os indígenas brasileiros, sejam eles aldeados ou não.
Seguiremos cobrando e denunciando toda e qualquer ação e ou omissão do governo Bolsonaro, que coloque em risco nossa existência.
Na nossa história, muitos povos foram dizimados pela livre circulação de doenças, e agora em meio a uma pandemia global, não nos calaremos diante da ameaça que a Covid 19 representa para nossa sobrevivência.
Nossas ações continuarão focadas na lógica da prevenção, de forma que possamos evitar a disseminação do Coronavírus dentro de nossos territórios e entre nossos parentes.Por isso, A APIB apresentou propostas para a articulação de um plano emergencial a ser conduzido pelo Governo Federal e encaminhou aos governadores de todos os Estados a solicitação de adoção urgente de 10 medidas que precisam ser realizadas.
Dadas as dificuldades de logística , a precariedade da rede de atenção primária à saúde e a nossa vulnerabilidade epidemiológica; torna-se urgente a construção de hospitais exclusivos para o atendimento de indígenas e a aquisição de testes rápidos para identificação da Covid-19.
Até o momento está confirmada a contaminação de mais quatro indígenas por Coronavírus, todos do povo Kokama, no município de Santo Antônio do Içá, no Amazonas. De acordo com dados do Ministério da Saúde, a região de Manaus e Alto Rio Negro, são a terceira no ranking de índices de casos confirmados em todo Brasil.
Não aceitaremos passivamente nos tornarmos parte das estatísticas dessa pandemia. Somos vida, somos floresta, somos o futuro; nossas vidas indígenas são tão importantes como a de qualquer brasileiro.
Nós da APIB, nos solidarizamos com a família e todo o povo Yanomami, bem como lamentamos profundamente a morte deste jovem guerreiro.
Por fim, reiteramos nossa disposição para seguir sem trégua ou recuo, nessa luta pela vida.
09/abr/2020
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) apresentou, hoje (9), pedido de apelo urgente a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (Cidh), tendo em vista as reiteradas violações de direitos humanos perpetradas contra o povo Guajajara, no Maranhão. A petição foi direcionada a relatora sobre os Direitos dos Povos Indígenas, Sra. Antonia Urrejola Noguera e ao Relator para o Brasil, Sr. Joel Hernández García.
O documento aponta que escalada da violência contra o povo Guajajara tem aumentado significativamente nos últimos anos. De 2000 a 2018, foram mortos 80 indígenas Guajajara da Terra Indígena Araribóia. Somente nos últimos cinco meses, quatro lideranças foram assassinadas, notadamente Paulo Paulino Guajajara (01.11.2019), Firmino Prexede Guajajara e Raimundo Benício Guajajara (ambos no dia 07.12.2019) e Zezico Rodrigues Guajajara (03.03.2020). A organização indígena aponta que os direitos garantidos na Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem, estão sendo violados, especialmente o direito à vida, o direito à proteção contra a honra e vida, o direito de residência e trânsito, o direito à preservação da saúde e ao bem-estar, bem como aos direitos assegurados na Convenção Americana sobre Direitos Humanos e a Declaração Americana sobre os Direitos dos Povos Indígenas.
Ao final, a Apib solicita apoio da Cidh para que cobre do governo brasileiro, através de suas autoridades federais e estaduais, as seguintes medidas:
1) Informar a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, e estas Relatorias especificamente sobre as primeiras medidas para apuração dos fatos.
2) Informar a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, e estas Relatorias especificamente, sobre o andamento do inquérito instaurado na Polícia Federal.
3) Garantia de participação das organizações indígenas e da sociedade civil no acompanhamento dos inquéritos.
4) Garantia, por parte do Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, de autorização do envio das tropas da Força Nacional para monitoramento do território enquanto perdurar o clima de eminentes conflitos.
Clique aqui para baixar a petição completa