21/set/2026
Durante a Semana do Clima de Nova York, movimento indígena defenderá que compromissos climáticos avancem da promessa à implementação, com demarcação, proteção territorial, financiamento direto, responsabilização das cadeias produtivas e uma transição para além dos combustíveis fósseis que não coloque os territórios e povos indígenas como zonas de sacrifício.
Entre os dias 20 e 27 de setembro, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) estará em Nova York, nos Estados Unidos, para uma nova etapa de sua agenda internacional de incidência política em defesa dos direitos dos povos indígenas e no enfrentamento à crise climática.
A participação durante a Semana do Clima de Nova York ocorre em um momento em que governos, fundos internacionais, organizações filantrópicas, instituições financeiras, empresas e organizações da sociedade civil se reúnem na cidade paralelamente à Assembleia Geral das Nações Unidas. Para a APIB, este é também um momento de cobrar implementação: compromissos assumidos nos últimos anos precisam chegar aos territórios e se traduzir em direitos garantidos, terras demarcadas e protegidas, recursos acessados diretamente pelas organizações indígenas e responsabilização dos atores econômicos que lucram com a destruição ambiental e com violações de direitos.
A representação da APIB será feita pela Coordenadora Executiva Luana Kaingang e pelo Coordenador Executivo Dinamam Tuxá, que participarão de reuniões bilaterais, painéis de debate e espaços dedicados ao financiamento climático, à proteção das florestas, ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), aos mecanismos territoriais liderados por povos indígenas e às economias indígenas.
A agenda integra uma mobilização articulada com a Aliança Global de Comunidades Territoriais (GATC), que estará em Nova York e terá como prioridades o fortalecimento dos direitos territoriais, do financiamento direto, dos fundos indígenas e das economias territoriais.
Os territórios precisam estar no centro da política climática
A posição que a APIB levará a Nova York parte de uma premissa construída coletivamente pelo movimento indígena brasileiro: não há solução para a crise climática sem a demarcação, a proteção e a gestão dos territórios indígenas.
A NDC dos Povos Indígenas do Brasil estabelece justamente a demarcação e a proteção territorial como política de mitigação climática e reivindica que essa perspectiva seja incorporada às políticas climáticas brasileiras com metas específicas, mensuráveis e monitoráveis. A agenda também vincula proteção territorial à adaptação, por meio da implementação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI) e dos Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs).
Não se trata apenas de reconhecer discursivamente a contribuição indígena. Dados reunidos pela NDC demonstram que as Terras Indígenas estão entre as áreas mais preservadas do país. Nas últimas quatro décadas, a perda de vegetação nativa nesses territórios foi muito inferior à registrada no conjunto do território brasileiro, evidenciando que garantir direitos territoriais produz também resultados concretos para o clima e para a biodiversidade.
Por isso, a APIB continuará defendendo internacionalmente que financiamento climático, compromissos de conservação e políticas de proteção florestal não podem substituir a obrigação do Brasil de demarcar, proteger e desintrusar os territórios indígenas.
Essa defesa ganha ainda mais importância diante das ameaças aos direitos indígenas no Brasil. Em seus posicionamentos recentes, a APIB vem alertando que o enfraquecimento das garantias territoriais, como a Lei nº 14.701/2023, favorece o avanço da grilagem, do desmatamento, da mineração, da exploração ilegal de recursos naturais e de outras pressões econômicas sobre os territórios.
Outro eixo central da agenda em Nova York será o financiamento direto aos povos indígenas.
A APIB defende que povos indígenas deixem de ocupar apenas a posição de beneficiários finais de projetos concebidos por terceiros e passem a exercer liderança sobre a concepção, governança, execução e monitoramento dos recursos destinados à proteção climática e territorial.
A missão prevê diálogos entre organizações indígenas, fundos territoriais, financiadores e parceiros internacionais para avançar mecanismos de financiamento mais acessíveis, equitativos e liderados pelos territórios, incluindo sistemas próprios de monitoramento, avaliação e prestação de contas.
Essa discussão terá especial atenção sobre o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). Durante a COP30, foi estabelecida a destinação de pelo menos 20% dos pagamentos direcionados aos países para organizações e mecanismos de Povos Indígenas e Comunidades Locais. Para a APIB, o passo seguinte é garantir que essa previsão seja implementada de maneira efetiva, com governança indígena, critérios adequados, salvaguardas socioambientais e respeito à autodeterminação.
Para a APIB, entretanto, novos fundos não podem servir para criar uma narrativa de solução climática enquanto governos, bancos e empresas continuam financiando atividades que pressionam territórios indígenas. O financiamento climático precisa estar acompanhado de coerência entre políticas econômicas, ambientais, comerciais e de direitos humanos.
Não há transição energética justa com novas zonas de sacrifício
A APIB também levará a Nova York a posição construída pelo movimento indígena brasileiro para um Mapa do Caminho Global para Além dos Combustíveis Fósseis.
As recomendações apresentadas durante o Acampamento Terra Livre 2026 defendem uma transição justa, ordenada e equitativa, com eliminação progressiva da dependência de petróleo, gás e carvão, interrupção da expansão de novas fronteiras de exploração e reconhecimento dos territórios indígenas como áreas prioritárias para proteção climática.
Entre as propostas apresentadas está a criação de Zonas Livres de Combustíveis Fósseis, especialmente em territórios de alta relevância ecológica e cultural, além da garantia da Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) e da participação indígena como parte da governança da transição.
Para o movimento indígena, substituir os combustíveis fósseis sem alterar a lógica de exploração dos territórios não constitui transição justa.
A expansão da mineração associada aos chamados minerais críticos ou estratégicos, inclusive quando justificada em nome da eletrificação ou das energias renováveis, pode reproduzir as mesmas violações históricas impostas por outros ciclos econômicos. A APIB já vem alertando que o discurso da transição energética está sendo apropriado para legitimar novas pressões minerárias sobre Terras Indígenas e áreas socioambientalmente sensíveis.
Nossa mensagem é clara: os povos indígenas não aceitarão que seus territórios sejam transformados em novas zonas de sacrifício para sustentar uma transição energética construída sob a mesma lógica colonial que produziu a crise climática.
Quem produz e financia commodities também precisa responder pelos impactos nos territórios
A discussão sobre clima também passa pelas cadeias globais de produção, comércio e financiamento.
Ao longo de 2026, a APIB ampliou sua atuação internacional sobre as cadeias de soja, carne, couro, madeira, minerais e outras commodities, defendendo mecanismos robustos de rastreabilidade e devida diligência socioambiental e de direitos humanos.
Em junho e julho, durante missão de incidência na Europa, a APIB cobrou do grupos financeiros, como o grupo francês BPCE, uma política de desmatamento zero, exclusão de empresas associadas à grilagem e à invasão de Terras Indígenas, rastreabilidade integral das cadeias de soja, carne, couro, madeira e mineração e um mecanismo permanente de diálogo com os povos indígenas.
Nos debates sobre regulamentações comerciais dos países, como a Lei Europeia Antidesmatamento (EUDR), a APIB também tem defendido mecanismos rigorosos de rastreabilidade, argumentando que políticas comerciais e regulatórias precisam enfrentar não apenas a perda de cobertura florestal, mas também as violações de direitos humanos que podem estar associadas à produção das commodities colocadas nos mercados internacionais.
A expansão de acordos comerciais não pode ser dissociada dos conflitos vividos nos territórios. A APIB tem alertado que o aumento da demanda por commodities agrícolas e minerais têm aumentado a pressão sobre Terras Indígenas, estimulado a expansão de infraestrutura logística, fragilizado a legislação ambiental brasileira e aprofundado disputas territoriais e violência contra defensores do meio ambiente.
Em Nova York, a APIB seguirá defendendo que instituições financeiras, empresas, governos e mercados consumidores assumam responsabilidade pelas cadeias que financiam, abastecem ou das quais obtêm lucro.
Desmatamento zero precisa significar também tolerância zero à violação de direitos humanos.
Da COP30 à COP31: implementar o que já foi conquistado
A presença em Nova York ocorre também no caminho entre a COP30, realizada em Belém, e a COP31, na Turquia.
Após a COP30, o movimento indígena registrou avanços importantes, especialmente no reconhecimento internacional da relação entre direitos territoriais e ação climática e nos compromissos de financiamento direto. Ao mesmo tempo, permanecem lacunas importantes em temas como eliminação dos combustíveis fósseis, mineração, desmatamento, proteção de defensoras e defensores e garantia de participação indígena com poder real nos processos de decisão.
É nesse contexto que a APIB chega a Nova York.
Mais do que apresentar novamente diagnósticos já conhecidos, cobraremos a implementação, coerência e responsabilização.
Não é possível reconhecer os povos indígenas como aliados no enfrentamento à crise climática enquanto seus direitos territoriais permanecem ameaçados. Não é possível anunciar bilhões em financiamento climático enquanto organizações indígenas continuam enfrentando barreiras para acessar diretamente os recursos. Não é possível defender uma transição energética justa enquanto novas fronteiras de petróleo, mineração e infraestrutura avançam sobre territórios. E não é possível falar em cadeias sustentáveis sem saber de onde vêm as commodities e quais violações estão associadas à sua produção.
A participação da APIB na Semana do Clima de Nova York reafirma, portanto, uma agenda que o movimento indígena vem construindo dos territórios para os espaços internacionais: demarcação e proteção territorial, financiamento direto, fim da expansão dos combustíveis fósseis, transição energética com direitos garantidos, rastreabilidade e responsabilização das cadeias produtivas, proteção das defensoras e defensores e participação indígena com liderança.
21/set/2026
Carta da APIB e de suas organizações regionais em defesa de Terras Indígenas livres da mineração, inclusive de minerais críticos e estratégicos, e diante dos riscos que a disputa internacional por essas riquezas, também colocada no centro das eleições de 2026, representa para os povos indígenas.
A sanção da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, no dia 16 de setembro, coloca uma responsabilidade imediata para o Estado brasileiro. A nova lei busca ampliar a exploração mineral e fortalecer o processamento desses recursos dentro do país, apresentando essa agenda como parte de uma política de soberania nacional. Para nós, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), junto com nossas organizações regionais de base, soberania começa pela demarcação e pela proteção das Terras Indígenas.
Afirmamos que essa política precisa vir acompanhada de garantias concretas para que a corrida pelos minerais críticos não aumente a pressão da mineração sobre nossos territórios. O Brasil precisa definir desde o início quais são os limites dessa exploração. Terras Indígenas precisam ser protegidas, inclusive aquelas que aguardam a conclusão dos processos de demarcação.
Essa preocupação fica ainda maior porque a disputa pelos minerais críticos já entrou nas eleições de 2026. Em 28 de março, Flávio Bolsonaro afirmou, em um discurso feito em um evento nos Estados Unidos, que o Brasil poderia ser a “solução” para o governo Trump conseguir explorar mais terras raras. Uma matéria publicada neste mês de setembro pelos jornalistas Guilherme Amado e João Pedroso revelou que nove dias antes dessa fala, em 19 de março, André Marinho, aliado de Flávio Bolsonaro, havia produzido um documento propondo uma parceria entre Brasil e Estados Unidos para minerais críticos e terras raras. A apresentação trazia na capa a identificação “Flávio Bolsonaro | 2026 Campaign” e defendia um alinhamento das cadeias brasileiras de minerais aos Estados Unidos.
Alertamos que essa sequência expressa, para a APIB, uma perspectiva entreguista sobre riquezas estratégicas do Brasil e aumenta nossa preocupação com o lugar das Terras Indígenas nessa disputa. Um candidato à Presidência apresenta os minerais brasileiros como solução para interesses dos Estados Unidos justamente em um momento de crescente disputa internacional por esses recursos. As decisões sobre o futuro dessas riquezas precisam partir da defesa dos territórios e dos direitos dos povos que vivem neles.
Esse alerta vem de antes das eleições. Em nosso relatório “Desmascarando o lobby mineral em terras indígenas no Brasil”, já apontávamos o risco de o Brasil assumir o papel de fornecedor de minerais críticos para cadeias internacionais, enquanto os impactos dessa exploração recaem sobre os territórios. O levantamento citado no relatório mostra que existem mais de 5 mil requerimentos minerários em aberto, apenas na Amazônia. Desse total, mais de 1.300 atingem Terras Indígenas ou áreas localizadas a até 10 quilômetros delas, com 390 casos de sobreposição total.
Apontamos nesse relatório como a ideia de “soberania” vem sendo usada pelo setor mineral para justificar o avanço da exploração. Nós defendemos outro sentido para essa palavra. Para nós, soberania significa proteger a terra e reconhecer os direitos dos povos que cuidam desses territórios. Também alertamos para o risco de o Brasil ser colocado na posição de fornecedor de minerais críticos para as cadeias globais, enquanto Terras Indígenas são pressionadas e transformadas em áreas de sacrifício.
Por isso, pedimos ao presidente Lula que a nova política estabeleça uma proteção nítida às Terras Indígenas.
Defendemos que esses territórios sejam tratados como zonas de exclusão para projetos que ameacem a vida dos povos indígenas. Essa proteção também precisa alcançar os povos em isolamento, diante dos riscos que qualquer empreendimento representa para sua existência. Essa posição é reforçada pelo Painel de Alto Nível da ONU sobre Minerais Críticos, que recomendou, em seu relatório de 2024, considerar as terras indígenas como zonas de exclusão ambiental, diante da emergência climática e do compromisso dos Estados em combatê-la.
Toda decisão capaz de atingir povos indígenas precisa respeitar a consulta livre, prévia e informada antes da definição dos projetos. Cada povo possui suas próprias formas de decisão, que precisam orientar esse processo. A participação indígena também precisa ocupar os espaços onde a política mineral será conduzida.
A APIB também defende que os povos indígenas participem de forma permanente das decisões sobre essa política e possam acompanhar sua execução. Projetos de mineração não podem ter um licenciamento ambiental acelerado, que pule etapas importantes de avaliação dos impactos. A política também precisa considerar os impactos ambientais, climáticos, na saúde e no trabalho. E o Fundo Clima não deve ser usado, em nenhuma hipótese, para financiar a exploração mineral.
A riqueza do Brasil não pode virar moeda de negociação internacional. Terra Indígena não se negocia. Minerais críticos não podem justificar novas pressões sobre os territórios indígenas nem colocar nossas vidas a serviço da disputa entre potências.
É nesse sentido que afirmamos Nosso Território, Nossa Vida. O projeto de país que defendemos começa pela demarcação e pela proteção territorial. Nenhuma transição será justa se ocorrer às custas da extração de nossos corpos e terras.
Soberania é Terra Indígena demarcada e protegida. Nosso Território, Nossa Vida!
Brasília, 17 de setembro de 2026.
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB)
Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME)
Articulação dos Povos Indígenas da Região Sudeste (ARPINSUDESTE)
Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (ARPINSUL)
Comissão Guarani Yvyrupa (CGY)
Conselho do Povo Terena (CONSELHO TERENA)
Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB)
Grande Assembleia do Povo Guarani e Kaiowá (ATY GUASU)
04/set/2026
O Senado Federal aprovou o PL 2.780/2024, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). O texto segue agora para sanção presidencial.
A proposta cria mecanismos para estimular a pesquisa, a mineração, o beneficiamento e a transformação de minerais considerados estratégicos para o país. Mas, para os povos indígenas, permanece uma questão fundamental: até onde o Estado brasileiro pretende permitir que essa expansão avance?
Durante a tramitação no Senado, conquistamos um avanço importante: o texto passou a estabelecer expressamente que o diálogo com comunidades afetadas não substitui a Consulta Livre, Prévia e Informada, direito garantido aos povos indígenas pela Convenção nº 169 da OIT.
Mas seguimos em alerta.
Salvaguardas territoriais, ambientais e de participação social ficaram de fora. A política cria instrumentos concretos para acelerar a atividade mineral, enquanto permanecem frágeis os mecanismos destinados a estabelecer os limites dessa expansão.
Transição energética não pode significar novas violações de direitos, conflitos territoriais ou a transformação dos nossos territórios em zonas de sacrifício.
A classificação de um mineral como “crítico” ou “estratégico” não torna Territórios Indígenas disponíveis para exploração. Antes de qualquer jazida, existem povos, lugares sagrados, águas, florestas, memórias e modos de vida protegidos pela Constituição.
A APIB seguirá incidindo para que a regulamentação da política respeite a Constituição Federal, a Convenção nº 169 da OIT e os direitos originários dos povos indígenas.
Não existe transição justa sacrificando territórios e direitos.
Confira a nota completa do Departamento Jurídico da Apib.
28/ago/2026
Com representação de mulheres indígenas, quilombolas e ribeirinhas, a obra de mais de 11 metros utiliza tintas desenvolvidas com lama do rio Tocantins, cinzas da floresta Amazônica e minerais da Índia.
RIO DE JANEIRO (RJ) — Um grande mural representando os rios da Amazônia com os rostos de uma mulher indígena Munduruku, uma mulher quilombola, e uma mulher ribeirinha, será inaugurado na próxima segunda-feira (31), às 16h, no bairro do Catete, no Rio de Janeiro (RJ). A obra é resultado de uma articulação da Aliança Chega de Soja – rede de movimentos e comunidades que lutam contra o avanço do agronegócio na Amazônia e no Cerrado – com a Fearless Foundation for the Arts, coletivo fundado pela artista indiana Shilo Shiv Suleman, que já produziu mais de 100 murais em 20 países.
A intervenção integra o projeto Confluence, que usa o encontro das águas como forma de aproximação de povos e experiências do Sul Global. No Brasil, o processo tem reunido comunidades das bacias dos rios Tocantins, Tapajós e Madeira, além de diversos movimentos sociais e organizações da sociedade civil. No início do mês, na Vila Tauiry, no sudoeste do Pará, as artistas produziram um primeiro mural dedicado ao Pedral do Lourenção – formação rochosa do rio Tocantins ameaçada pelo projeto de hidrovia que visa aumentar o escoamento de soja para exportação.
“À medida que conhecemos o coração do rio Tocantins, na vila Tauiry, no Pará, com a comunidade cujas rochas e águas fazem parte do seu ecossistema, o que se tornou evidente foi o seguinte: não há separação entre os corpos das mulheres e as águas que defendemos. Neste momento, na Índia, as mulheres têm-se mantido submersas como parte do movimento de protesto Ken-Betwa. Inspirando-nos nesta imagem de solidariedade entre mulheres de todo o mundo — a luta comum contra a exploração e a extração, tanto do corpo como da terra —, pintamos esta imagem como um testemunho dos movimentos liderados por mulheres em defesa das águas sagradas em toda a maioria global”, descreve Shilo Shiv Suleman, fundadora da Fearless Foundation for the Arts.
O mural no Catete ajuda a impulsionar a campanha “Nossos Territórios Nossas Vidas” da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) por um projeto de país que escute os territórios. Lançado no contexto eleitoral, a proposta defende a demarcação das Terras Indígenas, participação popular, uma economia comprometida com a vida, e a união entre povos indígenas, quilombolas, movimentos do campo e da cidade .
“Quando falamos que nosso território é nossa vida, estamos falando da nossa comida, da nossa água, da nossa memória e do futuro dos nossos filhos. Levar essa mensagem para um muro no Rio de Janeiro é também mostrar que a proteção dos territórios não interessa somente aos povos que vivem neles, mas também diz respeito ao futuro de todos nós”, afirma Lilian Eloy, da APIB.
26/ago/2026
Durante a 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), realizada na Mongólia, a APIB junto à APOINME, nossa organização política de base, promoveu o painel “Olhares indígenas sobre a desertificação: caminhos para enfrentar a degradação da terra e a seca prolongada nos biomas brasileiros”.
A atividade apresentou as perspectivas dos povos indígenas sobre o avanço da desertificação, da degradação da terra e dos efeitos das secas prolongadas nos biomas brasileiros. O debate deu atenção especial aos impactos sobre os territórios indígenas, cada vez mais pressionados pelo desmatamento, pela grilagem, pela mineração, pela expansão das cadeias de produção de commodities e pela exploração das águas e de outros bens naturais.
O painel foi mediado por Danilo Tupinikim (APIB) e contou com a participação de Bárbara Tupinikim, representante da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME); Rute Anacé, do Ministério dos Povos Indígenas (MPI); e Onel Inanadinia Masardule, consultor do Conselho Internacional de Tratados Indígenas.
Ao longo do diálogo, os participantes ressaltaram que o enfrentamento à desertificação não pode ser limitado a soluções técnicas ou ambientais. Para os povos indígenas, essa é também uma agenda de direitos, justiça climática, proteção territorial e reparação histórica.
A degradação dos territórios afeta diretamente as fontes de água, a produção de alimentos, a biodiversidade e a continuidade dos modos de vida, conhecimentos e práticas tradicionais. Esses impactos são agravados por atividades econômicas que avançam sobre os biomas sem respeitar os direitos territoriais, as culturas e a autonomia dos povos indígenas.
Entre os caminhos apresentados durante o painel estão a demarcação e a proteção efetiva das Terras Indígenas, o fortalecimento da gestão territorial e ambiental indígena, a destinação de financiamento direto aos povos indígenas e a garantia da consulta e do consentimento livre, prévio e informado diante de medidas e empreendimentos capazes de afetar seus territórios.
Também foram destacadas a necessidade de rastreabilidade de todas as etapas das cadeias de produção de commodities e a responsabilização de empresas e atividades econômicas envolvidas na degradação dos biomas e na violação dos direitos indígenas.
A atividade reuniu representantes de governos, organizações indígenas e da sociedade civil, negociadores, pesquisadores, financiadores e organismos internacionais envolvidos na construção de respostas à desertificação, à seca e à degradação da terra.
Ao levar essas perspectivas à COP17, os painelistas compartilham as vozes dos povos indígenas reafirmando que não devemos ser reconhecidos apenas como populações afetadas pela crise ambiental. Os conhecimentos tradicionais, práticas de manejo e formas próprias de governança territorial são essenciais para a proteção das águas, a restauração dos ecossistemas e a construção de respostas justas e duradouras à crise climática.
Fortalecer os direitos e o protagonismo dos povos indígenas é uma condição indispensável para enfrentar a desertificação e assegurar o futuro do mundo.
21/ago/2026
A Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados concluiu a apreciação do Projeto de Lei nº 3.514/2019, que regulamenta as profissões de Agente Indígena de Saúde (AIS) e Agente Indígena de Saneamento (AISAN) no âmbito do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS).
A conclusão dessa etapa representa mais um importante avanço para o reconhecimento e a valorização de profissionais que estão diariamente nos territórios e exercem papel fundamental na garantia do direito à saúde dos povos indígenas.
O Projeto de Lei nº 3.514/2019 é de autoria de Joenia Wapichana, a primeira mulher indígena eleita Deputada Federal no Brasil e presidenta da Funai. Ele passou por várias comissões da Câmara e contou com o apoio de outra deputada indígenas, Juliana Cardoso (PT-SP), para ser aprovado na Comissão de Saúde.
A trajetória deste PL expressa a importância na nossa representatividade em espaços de decisão. Um projeto que surgiu de uma demanda dos territórios e agora caminha para aprovação. Estes agentes exercem funções fundamentais para a saúde nos territórios.
Esperamos que em breve o projeto passe para o Senado e seja aprovado, como mais uma vitória para a construção do bem viver nos territórios indígenas.
Confira a nota do departamento jurídico da Apib aqui.
19/ago/2026
Foto: Lideranças indígenas no acampamento Luta pela Vida, em 2021 (Crédito: Diego Baravelli/ Greenpeace)
Campanha Indígena apresenta 56 candidaturas indicadas pelas organizações regionais indígenas da APIB articuladas em torno do projeto Nosso Território, Nossa Vida.
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), junto com suas organizações regionais de base, apresenta nesta quarta-feira, 19 de agosto, a Bancada Indígena 2026. São 56 candidaturas reunidas pela Campanha Indígena para fortalecer a presença dos povos nos espaços de decisão e levar para as eleições uma proposta política construída a partir dos territórios.
A Bancada reúne candidaturas de 39 povos indígenas, distribuídas por 19 estados e conectadas às diferentes regiões e biomas de abrangência das organizações regionais da APIB. Essa diversidade territorial expressa a presença dos povos na disputa eleitoral de 2026. Do total de 56 candidaturas, 27 são de mulheres. São 33 candidaturas a deputado estadual, 19 a deputado federal, duas ao Senado, uma ao governo estadual e uma à segunda suplência do Senado.
A apresentação das 56 candidaturas acontece em um cenário histórico de crescimento da participação indígena na política institucional. Levantamento da Campanha Indígena atualizado em 17 de agosto identificou 191 candidaturas de pessoas que se declararam indígenas nas eleições de 2026. É o maior número registrado em eleições gerais desde que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a reunir informações de cor e raça das candidaturas, em 2014. Naquele ano foram registradas 85 candidaturas indígenas. O número chegou a 133 em 2018 e a 186 em 2022. Em 2026, são 191 registros.
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Cargos que a Bancada Indígena concorre em 2026:
33 candidaturas a deputado estadual
19 candidaturas a deputado federal
2 candidaturas ao Senado
1 candidatura ao governo estadual
1 candidatura à segunda suplência do Senado
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A escolha começa nos territórios
“A Bancada Indígena é um recorte político construído a partir das indicações das organizações regionais de base da APIB, fortalecendo uma articulação que parte dos territórios”, afirma Alana Manchineri, coordenadora da Campanha Indígena.
A composição da Bancada parte do conhecimento que cada organização regional possui sobre as candidaturas e sobre a realidade política onde atua. Desde a preparação da Campanha Indígena 2026, as organizações de base assumiram um papel central na indicação dos nomes que integram essa construção.
Durante a organização da campanha, o grupo de trabalho da APIB adotou como referências o compromisso com os direitos dos povos indígenas e com os direitos humanos. A relação das candidaturas com as lutas sociais também orientou esse processo.
Essa metodologia dá sentido político à Bancada ao conectar as candidaturas às organizações de base e às pautas construídas pelo movimento indígena. É a partir dessa relação entre territórios e disputa eleitoral que Nosso Território, Nossa Vida chega às eleições de 2026.
Nosso Território, Nossa Vida
A Campanha Indígena leva para o processo eleitoral uma proposta de país construída a partir das experiências e das lutas dos povos indígenas. Nosso Território, Nossa Vida coloca os territórios no centro das decisões sobre o futuro do Brasil e orienta o diálogo político das candidaturas que integram a Bancada.
As candidaturas são chamadas a incorporar essas propostas em suas campanhas e levá-las ao debate com a sociedade. Dessa forma, a presença indígena nas eleições se conecta a uma construção política que nasce dos povos e busca incidir sobre as decisões tomadas nos espaços institucionais.
Nosso Território, Nossa Vida afirma a demarcação e a proteção das Terras Indígenas como parte da soberania do país. A proposta também defende a participação dos povos nas decisões públicas e reconhece a proteção dos territórios como parte central das respostas à crise climática.
“A Bancada Indígena que estamos apresentando nasce das organizações de base e leva para as eleições um projeto construído pelo movimento indígena. A Bancada marca um novo momento da caminhada para aldear a política, fortalecendo candidaturas construídas a partir dos territórios e colocando as propostas do movimento indígena no debate sobre o futuro do Brasil. Nosso Território, Nossa Vida coloca os territórios no centro do futuro do Brasil e chama as candidaturas a incorporarem essas propostas em suas campanhas. Aldear a política significa levar as propostas dos nossos povos para os espaços onde as decisões sobre o país são tomadas”, afirma Dinamam Tuxá, coordenador executivo da APIB.
Uma caminhada construída antes das urnas
A presença dos povos indígenas na política institucional brasileira atravessa décadas. Em 1969, Manoel dos Santos, conhecido como Seu Coco, do povo Karipuna, foi eleito vereador em Oiapoque, no Amapá. Em 1976, Cacique Ângelo Kretã, do povo Kaingang, conquistou uma vaga de vereador em Mangueirinha, no Paraná, durante a ditadura militar. Seis anos depois, Mário Juruna, do povo Xavante, tornou-se o primeiro deputado federal indígena da história do Brasil.
A presença indígena também avançou nos governos municipais. Em 1990, Iracy Cassiano, do povo Potiguara, foi eleita prefeita de Baía da Traição, na Paraíba. Em 1996, João Neves, do povo Galibi-Marworno, chegou à prefeitura de Oiapoque, no Amapá.
A partir de 2014, essa trajetória passou a ser acompanhada com mais precisão nas estatísticas eleitorais, quando o TSE incluiu os dados de cor e raça no registro das candidaturas. Um levantamento do pesquisador Luís Roberto de Paula estima que pelo menos 448 indígenas foram eleitos no Brasil entre 1976 e 2012.
Em 2017, a APIB publicou o manifesto “Por um Parlamento cada vez mais indígena”, colocando de forma pública a necessidade de ampliar a presença dos povos indígenas nos espaços de decisão. A eleição seguinte marcou outro momento dessa caminhada. Em 2018, Joenia Wapichana tornou-se a primeira mulher indígena eleita deputada federal, enquanto Sonia Guajajara integrou uma chapa presidencial e levou a presença indígena para o centro do debate político nacional.
Essa trajetória ganhou uma articulação nacional própria em 2020, com a criação da Campanha Indígena pela APIB e suas organizações regionais de base. Naquele ano, 2.212 indígenas registraram candidaturas nas eleições municipais, crescimento de 27% em relação a 2016. Foram eleitos 236 indígenas, representando 71 povos em diferentes regiões do país.
Em 2022, a Campanha Indígena organizou a Bancada Indígena com 30 candidaturas indicadas pelas organizações regionais da APIB. As candidaturas mobilizaram cerca de 500 mil votos. Sonia Guajajara, por São Paulo, e Célia Xakriabá, por Minas Gerais, foram eleitas deputadas federais. Naquele ano, 186 pessoas indígenas registraram candidaturas nas eleições gerais, mais que o dobro das 85 registradas em 2014.
A resposta para transformar a política somos nós!
Conheça as lideranças que fazem parte da Bancada Indígena
acesse: https://campanhaindigena.apiboficial.org/bancada-indigena/
Lista corrida das candidaturas da Bancada Indígena
Acre
Isaac Piyãko | Ashaninka | deputado estadual | PT | 13111
Cacique Ninawa Huni Kui | Huni Kuĩ | deputado federal | PT | 1311
Amapá
Kleber Karipuna | Karipuna | deputado federal | PDT | 1200
Simone Karipuna | Karipuna | deputada estadual | Rede | 18888
Amazonas
Isael Munduruku | Munduruku | governador | Rede | 18
Ismael Munduruku | Munduruku | senador | Rede | 181
Marcos Apurinã | Apurinã | deputado federal | Rede | 1818
Vanda Witoto | Witoto | deputada federal | MDB | 1513
Danielle Baré | Baré | deputada estadual | Rede | 12123
Raimunda Kambeba | Kambeba | deputada estadual | Rede | 1811
Yura Marubo | Marubo | deputada estadual | Rede | 18321
Claudia Tikuna | Tikuna | deputada estadual | MDB | 15444
Naldo Mura | Mura | deputado estadual | Rede | 18765
Neuriane Munduruku | Munduruku | deputada estadual | MDB | 15050
Edson Kambeba | Kambeba | deputado estadual | PSB | 40000
Humberto Koripaco | Koripaco | deputado estadual | Rede | 18018
Pará
Ubirajara Sompré | Kayapó | deputado federal | PSB | 4020
O e Paiakan | Kayapó | deputada estadual | PSD | 55111
Alessandra Munduruku | Munduruku | deputada federal | PT | 1388
Puyr Tembé | Tembé | deputada estadual | Avante | 70678
Auricelia Arapiun | Arapiun | deputada estadual | PSOL | 50321
Rondônia
Isac Wajuru | Wajuru | deputado federal | MDB | 1501
Tamura Amondawa | Amondáwa | deputado estadual | Solidariedade | 77321
Jose Amaral Kujubin | Kampé | deputado estadual | PSB | 40429
Roraima
Aldenicia Cadete | Wapichana | deputada estadual | PT | 13555
Enock Taurepang | Taurepang | deputado estadual | Agir | 36232
Joenia Wapichana | Wapichana | deputada federal | PT | 1333
Bartô Macuxi | Macuxi | senador | PSOL | 500
Daniel Sampaio | Wapichana | deputado estadual | PT | 13321
Prof Telmo | Macuxi | deputado estadual | PT | 13444
Zelandes Patamona | deputado estadual | PT | 13123
Leonardo Pereira | Macuxi | deputado estadual | PT | 13130
Tocantins
Avanilson Karajá | Karajá | deputado federal | PV | 4333
Bahia
Tukumã Pataxó | Pataxó | deputado federal | PSOL | 5088
Kâhu Pataxó, mandato coletivo | Pataxó | deputado estadual | PCdoB | 65111
Monika Marapara | Kaixana | deputada federal | MDB | 1577
Ceará
Weibe Tapeba | Tapeba | deputado federal | PT | 1314
Espírito Santo
Jocelino Tupinikim | Tupinikim | deputado estadual | PSB | 40788
Maranhão
Rosilene Guajajara | Guajajara | deputada estadual | PT | 13222
Magno Guajajara | Guajajara | deputado federal | PSOL | 5000
Mato Grosso
Eliane Xunakalo | Kurâ Bakairi | deputada estadual | PT | 13456
Marta Tipuici | Manoki | deputada estadual | PT | 13066
Mato Grosso do Sul
Josiel Machado | Guarani Kaiowá | deputado estadual | PCO | 29029
Eliel Benites | Guarani Kaiowá | deputado federal | PT | 1333
Minas Gerais
Shirley Krenak | Krenak | deputada estadual | PSOL | 50333
Célia Xakriabá | Xakriabá | deputada federal | PSOL | 5088
Rio de Janeiro
Neuza Guaraní | Guarani Nhandeva | deputada estadual | PT | 13008
São Paulo
Chirley Pankará | Pankará | deputada estadual | PSOL | 50888
Juliana Cardoso | Terena | deputada federal | PT | 1333
Sonia Guajajara | Guajajara | deputada federal | PSOL | 5088
Paraná
Eloy Nhandewa | Guarani Nhandeva | deputado estadual | PSOL | 50123
Pernambuco
Marcelo Pankararu | Pankararu | segundo suplente ao Senado | Avante | 555
Santa Catarina
Ingrid Sateré Mawé | Sateré Mawé | deputada estadual | PSOL | 50180
Nandja Xokleng | Xokleng | deputada federal | PSOL | 5040
Kerexu Yxapyry | Guarani | deputada federal | PT | 1388
Cacica Eliara | Guarani | deputada estadual | PT | 13524
17/ago/2026
Crédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) participará da 17ª Sessão da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que será realizada de 17 a 28 de agosto de 2026, em Ulan Bator, Mongólia. A organização levará ao debate internacional as perspectivas, demandas e propostas dos povos indígenas brasileiros para o enfrentamento da desertificação, da degradação da terra e da seca.
A participação da APIB parte do reconhecimento de que os povos indígenas estão entre os mais diretamente afetados pelos processos de degradação ambiental e pelos efeitos das secas prolongadas. Em diferentes biomas brasileiros, os territórios indígenas sofrem com o desmatamento, a grilagem, a mineração, a expansão das cadeias de produção de commodities e a pressão sobre as águas e os modos de vida tradicionais.
Esses processos ameaçam não apenas os ecossistemas, mas também as fontes de água, a soberania alimentar, a biodiversidade, os conhecimentos tradicionais, as práticas culturais e a própria continuidade dos modos de vida dos povos indígenas.
Para a APIB, o enfrentamento à desertificação não pode ser tratado apenas como uma agenda técnica ou ambiental. Trata-se também de uma agenda de direitos indígenas, justiça climática, proteção territorial e reparação histórica.
Nesse sentido, a demarcação e proteção das terras indígenas, o fortalecimento da gestão territorial e ambiental indígena, o financiamento direto aos povos indígenas, a garantia da consulta e do consentimento livre, prévio e informado (CLPI), a rastreabilidade de toda a cadeia de produção de commodities e a responsabilização das atividades econômicas que degradam os biomas são medidas centrais para enfrentar a degradação da terra, a seca e os impactos da crise climática.
Evento paralelo no Pavilhão Brasil
Durante a COP17, a APIB, em parceria com a sua organização regional de base, a Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME), realizará um evento paralelo no Pavilhão Brasil, localizado na C2 da Blue Zone.
A atividade será realizada no dia 19 de agosto, das 17h às 18h (Horário local), com o título:
Olhares indígenas sobre a desertificação: Caminhos para enfrentar a degradação da terra e a seca prolongada nos biomas brasileiros.
O painel reunirá lideranças indígenas brasileiras para debater o avanço da desertificação e os efeitos das secas nos biomas brasileiros a partir das perspectivas dos povos indígenas, com atenção aos impactos sobre os territórios indígenas e sobre os modos de vida tradicionais.
A atividade buscará afirmar que o combate à desertificação exige respostas que ultrapassem as abordagens exclusivamente técnicas ou ambientais. A proteção dos territórios, a garantia dos direitos indígenas e o fortalecimento das formas próprias de gestão territorial e ambiental são elementos fundamentais para enfrentar a degradação dos biomas e construir respostas efetivas à crise climática.
O painel também abordará medidas como o financiamento direto aos povos indígenas, a garantia da consulta e do consentimento livre, prévio e informado (CLPI), a rastreabilidade das cadeias de produção de commodities e a responsabilização das atividades econômicas que promovem a degradação ambiental.
A atividade será dirigida a representantes de governos, negociadores, organizações da sociedade civil, academia, financiadores, organismos internacionais e demais atores envolvidos na construção de respostas à desertificação, à seca e à degradação da terra.
A participação da APIB na COP17 reafirma que não há enfrentamento à desertificação sem direitos indígenas, nem justiça climática sem proteção dos territórios indígenas.
16/ago/2026
Número inédito é 125% maior que o registrado em 2014. A disputa para deputado federal também alcança uma marca histórica, com 75 candidaturas indígenas. No dia 19 de agosto, a APIB e suas organizações regionais apresentam a Bancada Indígena 2026.
>>> dados atualizados dia 17.08.2026 às 10h (horário de Brasília) | fonte: sig.tse.jus.br
>>> os dados registrados nesta publicação podem ser modificados sempre que o TSE atualizar os dados oficiais de candidaturas.
>>> em relação à versão anterior, que tinha 191 registros, houve uma redução de uma candidatura. A candidatura de Gil do Povo, do PT de São Paulo, para deputado estadual, deixou de aparecer na nova base. Com isso, o PT passa de 38 para 37 candidaturas e o total de candidaturas a deputado estadual passa de 100 para 99.
As Eleições 2026 começam com um novo marco para a presença indígena na política institucional. Levantamento realizado pela Campanha Indígena, iniciativa da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), a partir dos registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSaE), reúne 191 candidaturas de pessoas que se declararam indígenas em todo o país. É o maior número registrado em eleições gerais desde que o TSE passou a incluir dados de cor e raça das candidaturas, em 2014.
A série mostra uma ampliação contínua dessa presença. Em 2014, foram registradas 85 candidaturas indígenas. O número passou para 133 em 2018 e chegou a 186 em 2022. Agora, em 2026, são 191. Em doze anos, o número cresceu 125%.
A disputa para a Câmara dos Deputados alcança uma marca própria. São 75 candidaturas indígenas a deputado federal em 2026. Em 2014 eram 25, número que passou para 39 em 2018 e 59 em 2022. Em doze anos, a quantidade triplicou. As assembleias legislativas reúnem a maior quantidade de candidaturas indígenas neste ano, com 99 nomes. Outras três pessoas concorrem a deputado distrital no Distrito Federal.
A lista também reúne quatro candidaturas ao Senado, três aos governos estaduais e duas a vice-governador. Há ainda cinco candidaturas às suplências do Senado.
As candidaturas indígenas estão presentes em 26 unidades da federação. A Amazônia Legal concentra 80 das 191 candidaturas registradas em 2026, o equivalente a 41,9% do total. Na região Sudeste, são 37 candidaturas, seguida pelo Nordeste, com 34, pelo Centro-Oeste, com 27, e pelo Sul, com 14.
Essa presença alcança estados inseridos nos seis biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Pampa. A distribuição mostra que a participação indígena nas eleições reúne experiências políticas construídas em diferentes territórios e realidades do país.
“Chegar a 191 candidaturas indígenas representa um dado eleitoral e a prova concreta de uma caminhada histórica de resistência e de cobrança dos nossos povos por espaço e respeito no poder. Essa realidade evidencia a ausência que ainda persiste nas estruturas de decisão do país. Estamos presentes em 26 unidades da federação, com 64 povos registrados na disputa e uma marca histórica de 75 candidaturas à Câmara dos Deputados. Essa presença nasce dos territórios e amplia, com força política, nossa exigência de participação efetiva nos rumos do Brasil”, avalia Marcos Sabaru um dos coordenadores políticos da Campanha Indígena.
Mulheres indígenas
As mulheres também ocupam uma parcela cada vez maior dessa presença indígena nas eleições. Das 191 candidaturas registradas em 2026, 84 são de mulheres, o equivalente a 43,8% do total. Em 2014, primeiro ano da série do TSE, eram 29 mulheres entre 85 candidaturas indígenas. O número passou para 49 em 2018 e chegou a 85 em 2022. Em 2026, com 84 candidaturas, a presença das mulheres permanece próxima ao maior patamar já registrado nas eleições gerais.
“As mulheres indígenas chegam a esta eleição com 84 candidaturas, representando quase 44% de toda a presença indígena na disputa. Em doze anos, o número de mulheres candidatas cresceu cerca de 190%. Esse avanço carrega a força das mulheres que organizam as lutas nos territórios e agora ampliam sua presença nos espaços de decisão”, reforça Alana Manchineri uma das coordenadoras da Campanha Indígena.
Essa trajetória mostra que a ampliação da presença indígena nas urnas também tem sido acompanhada por uma participação maior das mulheres na disputa pelos espaços de decisão.
Povos presentes na disputa
Os dados registrados pelo TSE apontam que 64 povos estão presentes na disputa eleitoral de 2026. O povo Macuxi, em Roraima, concentra 13 candidaturas, o maior número entre os povos identificados na base. Em seguida aparece o povo Guarani Kaiowá, com 12 candidaturas em Mato Grosso do Sul. A base também registra oito candidaturas Guaraní, sete Mundurukú, seis Múra e seis Terena.
Os dados mostram que o crescimento da participação indígena nas eleições também se expressa na presença de diferentes povos e territórios na disputa política do país.
| Povos registrados no TSE |
nº de Candidaturas |
| Macuxi |
13 |
| Guarani Kaiowá |
12 |
| Guaraní |
8 |
| Munduruku |
7 |
| Mura |
6 |
| Terena |
6 |
| Tupinambá |
5 |
| Wapichana |
5 |
8 povos com maiores números de candidaturas registradas (fonte: sig.tse.jus.br )
Território de luta
Para a Campanha Indígena, as eleições também são um território de luta e de disputa sobre o Brasil que queremos construir. A presença indígena nos espaços políticos faz parte de uma caminhada que floresce nos territórios e carrega o acúmulo histórico das lutas dos povos indígenas.
Em 2026, a APIB e suas organizações regionais de base levam para o processo eleitoral Nosso Território, Nossa Vida, uma proposta construída a partir das experiências do movimento indígena. O documento apresenta um projeto de país que afirma que o futuro do Brasil começa nos territórios e precisa ser construído com os povos participando das decisões sobre seus rumos.
A Campanha Indígena chama as candidaturas indígenas e as candidaturas aliadas às lutas por terra e território a conhecerem Nosso Território, Nossa Vida, fazerem sua adesão e incorporarem suas propostas às campanhas. A ideia é levar esse projeto de país para o diálogo com os territórios e para a disputa eleitoral.
O recorde de 191 candidaturas indígenas em 2026 amplia esse momento da participação política dos povos indígenas. No dia 19 de agosto, a APIB e suas organizações regionais de base apresentam a Bancada Indígena 2026, formada por candidaturas indicadas pelas organizações de base.
“A Bancada Indígena que apresentaremos no dia 19 nasce das organizações de base e leva para as eleições um projeto construído pelo movimento indígena. A Bancada marca um novo momento da caminhada para aldear a política, fortalecendo candidaturas construídas a partir dos territórios e colocando as propostas do movimento indígena no debate sobre o futuro do Brasil. Nosso Território, Nossa Vida coloca os territórios no centro do futuro do Brasil e chama as candidaturas a incorporarem essas propostas em suas campanhas. Aldear a política significa levar as propostas dos nossos povos para os espaços onde as decisões sobre o país são tomadas”, reforçou Dinamam Tuxá coordenador executivo da APIB.
Uma caminhada construída antes das urnas
A presença dos povos indígenas na política institucional brasileira atravessa décadas. Em 1969, Manoel dos Santos, conhecido como Seu Coco, do povo Karipuna, foi eleito vereador em Oiapoque, no Amapá. Em 1976, Cacique Ângelo Kretã, do povo Kaingang, conquistou uma vaga de vereador em Mangueirinha, no Paraná, durante a ditadura militar. Seis anos depois, Mário Juruna, do povo Xavante, tornou-se o primeiro deputado federal indígena da história do Brasil.
A presença indígena também avançou nos governos municipais. Em 1990, Iracy Cassiano, do povo Potiguara, foi eleita prefeita de Baía da Traição, na Paraíba. Em 1996, João Neves, do povo Galibi-Marworno, chegou à prefeitura de Oiapoque, no Amapá.
A partir de 2014, essa trajetória passou a ser acompanhada com mais precisão nas estatísticas eleitorais, quando o TSE incluiu os dados de cor e raça no registro das candidaturas. Um levantamento do pesquisador Luís Roberto de Paula estima que pelo menos 448 indígenas foram eleitos no Brasil entre 1976 e 2012.
Em 2017, a APIB publicou o manifesto “Por um Parlamento cada vez mais indígena”, colocando de forma pública a necessidade de ampliar a presença dos povos indígenas nos espaços de decisão. A eleição seguinte marcou outro momento dessa caminhada. Em 2018, Joenia Wapichana tornou-se a primeira mulher indígena eleita deputada federal, enquanto Sonia Guajajara integrou uma chapa presidencial e levou a presença indígena para o centro do debate político nacional.
Essa trajetória ganhou uma articulação nacional própria em 2020, com a criação da Campanha Indígena pela APIB e suas organizações regionais de base. Naquele ano, 2.212 indígenas registraram candidaturas nas eleições municipais, crescimento de 27% em relação a 2016. Foram eleitos 236 indígenas, representando 71 povos em diferentes regiões do país.
Em 2022, a Campanha Indígena organizou a Bancada Indígena com 30 candidaturas indicadas pelas organizações regionais da APIB. As candidaturas mobilizaram cerca de 500 mil votos. Sonia Guajajara, por São Paulo, e Célia Xakriabá, por Minas Gerais, foram eleitas deputadas federais. Naquele ano, 186 pessoas indígenas registraram candidaturas nas eleições gerais, mais que o dobro das 85 registradas em 2014.
Dados gerais participação indígena nas eleições 2026 | fonte: sig.tse.jus.br
| Indicador |
2026 |
| Total de candidaturas indígenas |
191 |
| Deputado estadual |
99 |
| Deputado federal |
75 |
| Senador |
4 |
| Governador |
3 |
| Deputado distrital |
3 |
| 1º suplente |
3 |
| Vice-governador |
2 |
| 2º suplente |
2 |
| Candidaturas proporcionais |
178 |
| Povos envolvidos |
64 |
Mulheres indígenas
| Ano |
Mulheres indígenas |
Total de candidaturas indígenas |
Participação das mulheres |
| 2014 |
29 |
85 |
34,1% |
| 2018 |
49 |
133 |
36,8% |
| 2022 |
85 |
186 |
45,7% |
| 2026 |
84 |
191 |
44% |
Aldear a Política
| Eleição |
Total |
Deputado federal |
Deputado estadual |
Deputado distrital |
| 2014 |
85 |
25 |
52 |
2 |
| 2018 |
133 |
39 |
79 |
1 |
| 2022 |
186 |
59 |
111 |
2 |
| 2026 |
191 |
75 |
99 |
3 |
|
Sobre a APIB | é a instância nacional do movimento indígena organizado e é formada por sete organizações regionais de base. São elas a Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME); a Articulação dos Povos Indígenas da Região Sudeste (ARPINSUDESTE); a Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (ARPINSUL); a Comissão Guarani Yvyrupa (CGY); o Conselho do Povo Terena; a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB); e a Grande Assembleia do Povo Guarani e Kaiowá (ATY GUASU). | https://apiboficial.org/sobre/
Sobre a Campanha Indígena | é uma iniciativa da APIB e de suas organizações regionais que fortalece a organização dos povos indígenas para disputar os rumos do país, dentro e fora das instituições.
Sobre Nosso Território, Nossa Vida | é um projeto de país construído pelo movimento indígena a partir das experiências e propostas dos povos e de seus territórios. A iniciativa surge dentro da Campanha Indígena para colocar os territórios no centro das decisões sobre o futuro do Brasil e apresenta propostas para orientar o diálogo com candidaturas, movimentos sociais e a sociedade durante as eleições de 2026. | nossoterritorionossavida.org
Contato para imprensa: [email protected] | (65) 996866289 Caio Mota |
11/ago/2026
Foto: Caio Mota/AProteja
Cerca de 150 lideranças de todas as regiões do país abriram bandeira de mais de 30 metros diante do Congresso para denunciar o agravamento das violências e seguiram em mobilização pela capital
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e suas organizações regionais de base, em conjunto com a Mobilização Nacional Indígena (MNI), realizaram na terça-feira (11), em Brasília, mais uma ação da mobilização permanente ‘Nosso Território, Nossa Vida’, diante do avanço das violências e dos ataques aos direitos territoriais. Com a mensagem “Soberania é território demarcado e direitos garantidos”, o ato reuniu cerca de 150 lideranças de todas as regiões do país, representando povos presentes em todos os biomas.
A mobilização começou em frente ao Congresso Nacional, na Alameda dos Estados. No local, as lideranças abriram uma bandeira com mais de 30 metros com a mensagem “Congresso inimigo dos povos”. A ação denunciou propostas impulsionadas por parlamentares ligados a setores do agronegócio que buscam travar demarcações e ampliar a exploração das Terras Indígenas.
“Os povos indígenas defendem o reconhecimento e proteção das terras indígenas e o fim imediato da exploração predatória e da violência contra nossos corpos e territórios. Nossos modos de vida resistem há séculos contra a dominação e contra a destruição em uma relação equilibrada com a natureza. No entanto, em vez de reconhecerem nossa contribuição, nossos direitos tem sido sistematicamente violados pelo Congresso, que se posiciona como Inimigo dos Povos”, disse Luana Kaingang coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (Arpinsul) que integra a APIB.
Na avaliação da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), a pressão desses setores também se reflete em decisões do Executivo e do Judiciário que afetam os povos indígenas. “Em vez de votar propostas que beneficiam a população, como as demarcações, o fim da escala 6×1 e a proteção da vida das mulheres, os parlamentares só defendem seus próprios interesses. Nossa resposta será nas ruas e nas urnas”, ressalta Dinamam Tuxá, coordenador executivo da APIB.
A mobilização seguiu com manifestações diante do Ministério da Justiça e do Palácio do Planalto, onde foram realizadas reuniões com comitivas do movimento. No fim da tarde, as lideranças realizaram uma vigília no Supremo Tribunal Federal (STF), marcada pela espiritualidade e pelo chamado para “segurar o céu” diante das ameaças aos povos e aos territórios. Com cantos e rezos os povos presentes manifestaram seu desejo de justiça exigindo respeito.
O ato desta terça integra as mobilizações permanentes Nosso Território, Nossa Vida. Em 5 de agosto, a APIB apresentou em Brasília o Nosso Território, Nossa Vida como um projeto de país, colocando a demarcação das Terras Indígenas no centro do debate sobre soberania e futuro. Ao longo da semana passada, povos e organizações de todo o Brasil também se manifestaram nas redes e em seus territórios. A proposta está disponível em nossoterritorionossavida.org, onde é possível acessar o documento completo e manifestar apoio ao projeto.
As mobilizações são construídas pela APIB e por suas organizações regionais: Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME); Articulação dos Povos Indígenas da Região Sudeste (ARPINSUDESTE); Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (ARPINSUL); Comissão Guarani Yvyrupa (CGY); Conselho do Povo Terena; Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB); e Grande Assembleia do Povo Guarani e Kaiowá (ATY GUASU).
Ameaças
A mobilização ocorre em uma semana decisiva para os direitos territoriais indígenas. Desde 7 de agosto, o STF analisa pedidos relacionados à decisão sobre o marco temporal e às regras criadas pela Lei nº 14.701/2023. O julgamento acontece de forma virtual e está previsto para seguir até 18 de agosto. A APIB alerta que o resultado pode criar novas barreiras às demarcações e atingir centenas de territórios indígenas em diferentes etapas de reconhecimento.
Entre os pontos que preocupam o movimento indígena estão regras que podem aumentar o tempo de espera para que os povos tenham seus territórios demarcados e medidas que atingem as retomadas, quando comunidades retornam a áreas tradicionais após anos de expulsão ou de espera pela ação do Estado. Para a APIB, o direito dos povos aos territórios é originário e a demarcação é o caminho para reconhecer e proteger esse direito já previsto na Constituição.
A pressão também aumenta no Congresso Nacional. A Câmara realiza nesta semana, de 10 a 14 de agosto, um período concentrado de votações, com a pauta definida pelos líderes partidários. Entre os projetos que podem avançar está a proposta que quer mudar o texto da Constituição para incluir o Marco Temporal na principal lei do Brasil. Para o movimento indígena, o cenário reforça o alerta sobre a influência de setores ligados ao agronegócio na aprovação de medidas que ampliam a pressão sobre os territórios.