Confira o 13º dia da Tour dos Guardiões da Floresta

Confira o 13º dia da Tour dos Guardiões da Floresta

Foto: Guardiões da Floresta

ATIVIDADES PRINCIPAIS

Após a chegada a Berlim, os Guardiões da Floresta realizaram uma conferência de imprensa onde estudos científicos foram revelados que analisam o papel das comunidades indígenas na proteção das florestas e na luta contra as mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, uma delegação reuniu-se com o Embaixador do Reino Unido na Alemanha para discutir os objetivos dos Guardiões da Floresta durante a COP 23. Todos foram então ao portão de Brandemburgo, onde tomaram uma ação simbólica contra a criminalização das comunidades indígenas e tribais. defensores ambientais. No final do dia, eles foram ao Museu de História Natural em Berlim e apresentaram suas histórias de vida, lições aprendidas e desafios aos decisores e membros da sociedade civil.

Foto: Guardiões da Floresta

 

 

Foto: Guardiões da Floresta

 

Foto: Guardiões da Floresta

DESTAQUES

Durante a conferência de imprensa realizada em Berlim, pesquisadores de diferentes centros de investigação apresentaram evidências científicas que apoiam os pedidos dos Guardiões da Floresta e demonstram, entre outros, o papel fundamental desempenhado pelas florestas na gestão das emissões de CO2. e a mitigação das mudanças climáticas, o potencial da ligação das comunidades indígenas e locais em projetos de cooperação internacional para conservação ambiental e as baixas taxas de desmatamento em territórios controlados pelas comunidades indígenas e locais na Amazônia.

Confira as atividades do 11º dia da tour dos Guardiões da Floresta

Confira as atividades do 11º dia da tour dos Guardiões da Floresta

ATIVIDADES PRINCIPAIS

Os guardiões da Floresta chegaram a Amsterdã. Após a sua chegada, realizaram uma série de reuniões preparatórias e depois participaram em um Café Político com membros de empresas, decisores e ONGs. O debate centrou-se em três temas principais: direitos territoriais e consentimento livre, prévio e informado, a criminalização e as soluções Indígenas para Mudanças Climáticas.

Foto: Guardiões da Floresta

Foto: Guardiões da Floresta

Foto: Guardiões da Floresta

Foto: Guardiões da Floresta

 

DESTAQUES

Durante o Café Político, uma representante da delegação da Indonésia, Mama Do, apresentou a declaração dos Guardiões da Floresta à Suzanne Kroger do Partido Verde da Holanda. A Kroger, por sua vez, comprometeu-se a levar as propostas e preocupações da delegação às discussões no Parlamento.

Veja como foram os dias anteriores

10º dia 

9º dia

8º dia

 

Operadores indígenas em direitos debatem no IX encontro Estadual o tema construir, exercer e fortalecer os direitos dos povos indígenas de Roraima

Operadores indígenas em direitos debatem no IX encontro Estadual o tema construir, exercer e fortalecer os direitos dos povos indígenas de Roraima

Na próxima semana, 23 a 27 de outubro, a comunidade indígena Willimon, região das Serras, Terra Indígena Raposa Serra do Sol receberá o IX Encontro Estadual dos Operadores Indígenas em Direito. Esta edição, trás como tema “construir, exercer e fortalecer os direitos dos povos indígenas de Roraima”.

O Encontro, fruto do projeto “Operadores Indígenas em Direitos”, nasceu no ano 2001, como atividade do departamento Jurídico do Conselho Indígena de Roraima (CIR) para auxiliar as comunidades indígenas a denunciarem as violações de seus direitos. Ao longo desses anos, o encontro se efetivou com a realização de vários cursos e discussão de diversos temas sobre direitos indígenas, cuja finalidade também de fortalecer a cidadania indígena e defesa dos direitos indígenas.

Participam do encontro aproximadamente 150 operadores indígenas em direitos, de várias regiões do estado de Roraima que se reúnem mais uma vez para debater, propor e deliberar estratégias de enfrentamento as violações dos direitos indígenas já conquistados e garantidos na Constituição Federal Brasileira de 1988. A realização do evento é do Conselho Indígena de Roraima (CIR) por meio do departamento Jurídico, com o apoio da Fundação Ford, Associação Bem-Te-Vi, Universidade Federal de Roraima (UFRR), Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Distrito Sanitário Especial Indígena do Leste de Roraima (DSEI Leste/RR) e demais parcerias.

Para os três dias foi montada uma programação com painéis, mesa redonda, trabalho de grupo (GTs) e outras dinâmicas previstas para aprofundar as discussões. Entre os temas, os operadores indígenas vão discutir sobre: o papel das instituições públicas na defesa e proteção dos direitos indígenas – direito à terra; consulta, segurança e o sistema jurídico próprio; o direito de consulta e os povos indígenas; povos indígenas na construção de políticas públicas; direitos sociais e a cidadania indígena; violência doméstica e familiar; e outros.

Na ocasião também haverá discussão sobre o tema sistema jurídico interno das comunidades indígenas e o reconhecimento pelo judiciário. Como experiência pioneira no Brasil, terá a exposição do painel “As experiência dos conciliadores indígenas”, pelos próprios conciliadores indígenas diplomados em agosto de 2016 pelo presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Supremo Tribunal Federal (STF), Ministro Ricardo Lewandowsk.

Outra experiência que tem sido um dos instrumentos de fortalecimento da autonomia das comunidades indígenas vem da construção dos regimentos internos (protocolos, normas, leis), em estágio avançado em Roraima, onde várias comunidades indígenas já tiveram a iniciativa de buscar orientação para a elaboração dos seus regimentos. A comunidade indígena do Pium, região da Serra da Lua, Terra Indígena Manoá-Pium, é a primeira comunidade que ao longo dos três anos de construção, conseguiu aprovar no ano passado o seu regimento interno, assim como também já iniciou o processo de tradução para a língua Wapichana, língua tradicional da comunidade indígena.

Para os debates foram convidados representantes das organizações indígenas, instituições públicas, como Ministério Público Federal (MPF), Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Distrito Sanitário Especial Indígena do Leste de Roraima (DSEI-Leste/RR), Universidade Federal de Roraima (UFRR) e outras instituições públicas do Estado.

O IX Encontro é realizado em um momento bastante crítico da luta dos povos indígenas do Brasil, da incessante afronta do Governo brasileiro de tentar retroceder direitos constitucionais garantidos através de propostas de leis inconstitucionais que ainda tramitam no legislativo, projeto de mineração e construção de hidrelétricas, a Proposta de Emenda à Constituição 215(PEC/215), e o mais recente e grave, o Parecer 001/AGU, aprovado pelo Presidente da República, Michel Temer, no dia 20 de julho desse ano, cuja finalidade a paralisação dos processos de demarcação de terras indígenas no Brasil, assim como a anulação de demarcações já realizadas.

Por outro lado, o Encontro também acontece como forma de fortalecer a luta, a união e a resistência dos povos indígenas de Roraima, da Amazônia e do Brasil, a continuarem na defesa e proteção da mãe terra e mãe natureza. No encerramento será elaborada a Carta de Willimon destinada às autoridades públicas.

A Declaração da Aliança dos Guardiões *e filhos da Mãe Terra*

A Declaração da Aliança dos Guardiões *e filhos da Mãe Terra*

Uma Voz Global para os Estados e a humanidade para a preservação da vida no planeta e para as futuras gerações

 

Durante a Assembleia que aconteceu em Brasília entre os dias 11 e 16 de outubro, centenas de indígenas de diversos países construíram 17 propostas de cuidado e preservação com a mãe terra, complementando o documento que nasceu na Assembleia dos “Guardiões da Mãe Natureza”, que ocorreu em 28 de novembro de 2015, na COP 21 em Paris.

Confira na integra A Declaração da Aliança dos Guardiões e filhos da Mãe Terra

Precisamos manter o olhar sobre os povos isolados

Precisamos manter o olhar sobre os povos isolados

A relatora da ONU Vicky Tauli Corpuz fala ao representante da rede para prevenção do genocídio na América Latina sobre riscos de genocídio e desafios para a sobrevivência física e cultural de povos indígenas na América Latina e chama a atenção para a situação dos povos indígenas isolados no Brasil. O relato aconteceu durante o encontro focal da rede Latino Americana de Prevenção de Genocídio e Ataque de Massa, nos dias 15 e 16 de outubro em Nova York.

Leia na integra aqui Vicky Tauli Corpuz Olhar sob os povos isolados

 

NOTA DE REPÚDIO CONTRA OS GOLPES DA BANCADA RURALISTA Não ao suposto “Encontro nacional da agricultura indígena”

NOTA DE REPÚDIO CONTRA OS GOLPES DA BANCADA RURALISTA Não ao suposto “Encontro nacional da agricultura indígena”

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) repudia veementemente a truculenta decisão
da Frente Parlamentar Agropecuária – bancada ruralista – de realizar, no dia 10 de outubro
próximo, no âmbito da Comissão de Agricultura, Abastecimento e Pecuária da Câmara dos
Deputados, uma audiência pública para supostamente “debater a produção agrícola indígena”.
Mesmo sem ter sido citada no requerimento e sem ter respondido ao convite, nem mesmo para
confirmar participação, os ruralistas incluíram de forma desrespeitosa a Apib e outras
organizações sociais na lista de expositores da programação.

A má fé não para por ai. O requerimento, de número 478/2017, assinado por parlamentares
declaradamente inimigos dos povos indígenas (Nilson Leitão, Valdir Colatto, Alceu Moreira e
Tereza Cristina) contém uma justificativa recheada de informações pirateadas na internet
relacionadas com experiências de produção e manejo territorial e ambiental de povos indígenas
dos Estados do Acre e Amapá, com o apoio de organizações governamentais e não
governamentais.

Só no final o requerente afirma: “Para buscar vencer os desafios enfrentados, e proporcionar uma
maior qualidade de vida alimentar e financeira dos indígenas, rogo aos ilustres pares o apoio para
aprovação do presente requerimento”. É Importante ressaltar no entanto que em momento
nenhum ele fala dos reais objetivos da audiência. Mas Nilson Leitão em depoimento revela: “Nós
aprovamos na Comissão de Agricultura um requerimento de Audiência Pública, foi por
unanimidade, para fazermos o 1º. Encontro nacional da agricultura indígena. Nós vamos debater,
vamos trazer as lideranças indígenas a Brasília, para debater a produção nas áreas indígenas
pelos índios, o direito deles de explorarem as suas terras, mas também muitas aldeias indígenas
estão encima de jazidas de minério, da esmeralda, do ouro e da prata. Muita gente enriquecendo
com isso, menos o índio. Então, esse encontro nacional da agricultura indígena que ocorrerá no mês de outubro, pela Comissão de Agricultura desta Casa, pela Frente Parlamentar Agropecuária,
debatendo com todas as lideranças indígenas do Brasil, com as Universidades, com a Embrapa,
com as organizações sociais e com os deputados de todos os partidos…”
As artimanhas dos ruralistas visam assim enganar e confundir a opinião pública e aos povos
indígenas.

A Apib, porém, sabe bem que uma “Audiencia Pública para debater a produção agrícola
indígena” não é o mesmo que um “Encontro nacional da agricultura indígena”, nem muito
menos uma “ Conferência Nacional de Agricultura Indígena”,
como alguns indígenas vinculados
aos ruralistas acreditam. Sabe também que a Frente Parlamentar Agropecuária jamais irá desistir
de seus propósitos de tomar conta das terras e territórios indígenas, seja para a expansão do
agronegócio, da pecuária e exploração dos bens naturais, ou para a implantação de grandes
empreendimentos, incluindo o extrativismo minerário industrial. Tais propósitos já foram
exaustivamente explicitados na Portaria 303 da AGU, na PEC 215, nas tentativas de alterar os
procedimentos de demarcação das terras indígenas, na CPI da Funai/Incra, na tese do marco
temporal e no Parecer 01/17 da AGU.

Por tudo isso, a APIB alerta e chama as suas bases: povos, organizações e lideranças indígenas a
não comparecerem a iniciativas como esta, a fim de não legitimar mais um golpe que a bancada
ruralista, suporte do governo ilegítimo de Michel Temer, tenta acertar contra os direitos
indígenas.

Brasília – DF, 28 de setembro de 2017.
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB

Conversa Pública: Índios x Temer

Conversa Pública: Índios x Temer

O jornalista e antropólogo Spensy Pimentel entrevista as lideranças indígenas Sonia Guajajara, Renata Machado, da Rádio Yandê e o antropólogo Rubens Thomaz de Almeida. Eles vão conversar sobre o que está em jogo para os povos indígenas depois de o Presidente Michel Temer ter tomado as rédeas do país.

Recentemente, um parecer da AGU (Advocacia-Geral da União) assinado por Temer determina que povos indígenas que não ocupavam suas terras originárias em 1988 não têm direito a reivindicá-las. Com a decisão, o número de terras que podem ser demarcadas diminui.

Lideranças indígenas e antropólogos  se reúnem na Casa Pública para discutir como essa e outras medidas tomadas pelo governo Temer tem impactado os direitos das populações tradicionais no Brasil.

(( Sobre os convidados))

Sobre Sônia Bone Guajajara
Nascida em uma aldeia do povo Guajajara – Tentehar no Maranhão, Sônia Bone hoje está à frente da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil –APIB, onde exerce a função de coordenadora-executiva. Graduada em letras e pós-graduada em Educação Especial pela Universidade Estadual do Maranhão.

Sobre Renata Machado
Renata Machado é indígena da etnia Tupinambá, jornalista, roteirista e produtora. Trabalha a comunicação voltada para as etnomídias, descolonização dos meios de comunicação e fortalecimento das narrativas indígenas. Ela é uma das idealizadoras e coordenadoras da Rádio Yandê, primeira web rádio indígena brasileira.

Sobre Rubem Thomaz de Almeida
Graduado em Ciências Sociais (USP) e mestre em Antropologia Social (Museu Nacional -UFRJ). Acompanha os Kaiowa e os ava-guarani no Paraguai Oriental, Sul do Mato Grosso do Sul e Oeste do Paraná desde 1973, em pesquisas e programas de “antropologia da ação”. Especializado na questão fundiária dessa população. Diversos títulos publicados dentro e fora do país.

Sobre Spensy Pimentel 
Spensy Pimentel é antropólogo e jornalista, formado pela USP, com histórico de trabalho junto aos povos indígenas, particularmente os Guarani. Hoje, é professor na Universidade Federal do Sul da Bahia e atua no audiovisual, em parceria com a documentarista Joana Moncau.

DECLARAÇÃO DO RIO GUAMÁ – DOCUMENTO FINAL DA XI ASSEMBLEIA GERAL DA COIAB

DECLARAÇÃO DO RIO GUAMÁ – DOCUMENTO FINAL DA XI ASSEMBLEIA GERAL DA COIAB

Nós, povos indígenas da Amazônia, reunidos na XI Assembleia Geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), entre os dias 28 a 30 de agosto de 2017, na Terra Indígena Alto Rio Guamá, Aldeia Sede, preocupados com as sistemáticas violações de nossos direitos por parte do governo brasileiro e com o atual quadro de retrocessos socioambientais, o qual não se apresentava tão agressivo desde o fim da ditadura militar brasileira, tornamos público o seguinte pronunciamento.
Considerando que o Governo de Michel Temer não tem qualquer apoio ou sustentação do povo brasileiro, povo este que é a instância máxima de atribuição da legitimidade democrática; e considerando que para se manter no poder o atual governo realizou um pacto de sangue com os segmentos mais reacionários e corruptos do Congresso Nacional brasileiro, permitindo que a Amazônia seja entregue a interesses escusos e que nossos territórios e recursos naturais sejam usurpados e destruídos em detrimento dos direitos difusos e coletivos dos povos indígenas e de toda a nação brasileira;
Considerando o reiterado descumprimento dos direitos dos povos indígenas, previstos na Constituição Federal de 1988 e na Convenção 169, da Organização Internacional do Trabalho, que garante aos povos indígenas seus territórios de ocupação tradicional, seus modelos de desenvolvimento próprios e o direito à consulta livre, prévia e informada, sempre que medidas administrativas e legislativas possam afetar suas vidas, direitos, interesses e territórios;
Considerando o Parecer 01/2017, da AGU, assinado pelo Presidente Temer, cujo objetivo é tentar vincular toda a administração pública às condicionantes fixadas no julgamento do caso Raposa Serra do Sol, de maneira arbitrária e inconstitucional, contrariando a jurisprudência e diretrizes fixadas pelo próprio STF;
Considerando a paralisação das demarcações de Terras Indígenas e a anulação da Portaria Declaratória da Terra Indígena Jaraguá, do povo Mbya Guarani, o que constitui grave retrocesso aos direitos constitucionalmente conquistados pelos povos indígenas, e, considerando também, o risco de que isso ocorra com diversas outras terras indígenas em todo o Brasil;
Considerando que nós, os povos indígenas, somos parte indissolúvel da identidade do povo brasileiro, participamos ativamente da construção da nação brasileira e somos os principais responsáveis por sua diversidade sociocultural, muito embora ainda nos destinem tratamento discriminatório e preconceituoso, em especial no acesso aos nossos territórios tradicionais e ancestrais;
Considerando o papel destacado e fundamental dos povos e territórios indígenas na conservação da biodiversidade e na regulação climática, e, portanto, na garantia das condições básicas não apenas para o meio ambiente equilibrado, mas também para o desenvolvimento de todas as atividades humanas no campo e na cidade, bem como sadia qualidade de vida das presentes e futuras gerações;
Considerando a necessidade de garantia e efetivação dos direitos já conquistados e que não admitiremos nenhum direito a menos;
Nós, os povos indígenas da Amazônia, reunidos na Assembleia da COIAB, declaramos que:
O aprimoramento democrático deve garantir a plena efetividade dos direitos fundamentais dos povos indígenas, previstos na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, em especial a demarcação e proteção das terras indígenas;

Não abrimos mão dos direitos de consulta e participação dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais nos diversos espaços de tomada de decisão, sob pena de maiorias de ocasião suprimirem os direitos e garantias fundamentais das minorias. Destacamos que o processo legislativo deve considerar a necessidade de consulta livre, prévia e informada como elemento formal de validade das leis e dos atos normativos. Somos contra iniciativas legislativas que visam suprimir nossos direitos, como a PEC 215, PEC 033, PLP 227, PEC 419 e PL 1610/96, assim como projetos de decretos legislativos que visam sustar atos do poder executivo, que em cumprimento da Constituição e das leis homologaram a demarcação de terras indígenas.

Nossos direitos são inegociáveis, inalienáveis, indisponíveis e imprescritíveis, por isso é urgente e necessário que as terras indígenas sejam demarcadas e regularizadas. Lembramos que o processo de demarcação de terras é ato administrativo vinculado, que garante o direito fundamental dos povos indígenas à sua sobrevivência física e cultural e que o Decreto nº 1.775/1996, que estabelece o procedimento administrativo de demarcação de terras indígenas, já foi declarado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, inclusive no que diz respeito à participação de antropólogos na coordenação de estudos técnicos e nas formas de participação dos estados e municípios durante o processo;

Nosso direito é originário e nossa história não começa em 1988, assim repudiamos a tese do marco temporal, a qual foi criada para apagar os indígenas de seus territórios, a fim de permitir que fazendeiros possam validar supostos títulos incidentes sobre terras de ocupação tradicional dos povos indígenas ou receber indevidas indenizações. Exigimos o reconhecimento e reparação, por parte do Estado brasileiro, das violências e expulsões que muitas vezes inviabilizaram a permanência dos indígenas em suas terras de ocupação tradicional. Em muitos casos, resistir ou estar em conflito ou luta pelas terras representaria definitiva sentença de morte para os nossos povos, comunidades e famílias. Como prova disso, não podemos esquecer o massacre do Paralelo 11, contra o Povo Cinta Larga, O Genocídio de Haximu, contra o Povo Yanomami, o massacre do capacete, contra os Tikuna e os massacres a tantos outros povos indígenas que, infelizmente, foram completamente dizimados, com total apoio ou omissão do Estado brasileiro, que historicamente pouco fez para garantir a proteção dos povos indígenas e de seus territórios.

Os povos indígenas em isolamento voluntário precisam de garantias territoriais, bem como políticas públicas que garantam a intangibilidade de seus territórios e a manutenção de sua segurança física respeitando a sua opção pelo isolamento, sob pena do governo continuar se omitindo e chancelando massacres do passado, os quais são inadmissíveis nos dias de hoje.

A autonomia e a autodeterminação são direitos inerentes a toda e qualquer pessoa humana. Por isso afirmamos que faremos de forma autônoma e livre a gestão de nossos territórios e recursos naturais, em acordo com nossos usos, costumes e tradições, valorizando nossas formas próprias de decidir e de exercer controle social. Nesse sentido, afirmamos que somos contra atividades de mineração, de aproveitamento de recursos hídricos, da construção de linhas de transmissão ou rodovias dentro de nossos territórios. O território brasileiro é vasto o suficiente para que as atividades imprescindíveis ao interesse nacional e ao crescimento econômico possam ser planejadas e desenvolvidas sem invadir e violar nossos territórios tradicionais.

A recente extinção da Reserva Nacional do Cobre e Associados (RENCA) é mais um exemplo de que Michel Temer governa o país por meio de encomendas privadas de ocasião. Esta medida foi negociada de forma escusa com o setor minerador, sem qualquer processo de consulta à sociedade, povos e comunidades afetados por ela. Sua reedição em poucos dias, por meio do Decreto 9.167/2017, manteve os mesmos vícios de origem, escancarando novamente o desprezo às leis e a direitos fundamentais de todos, como o meio ambiente equilibrado.

Somos solidários aos povos indígenas de todas as regiões do Brasil que lutam pela demarcação de seus territórios, e não aceitamos que esse direito fundamental seja negado ou negociado em troca de favores políticos.

Repudiamos o desmonte da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e as indicações politicas-partidárias na FUNAI e na SESAI que servem aos interesses de manutenção do Presidente Temer no poder, em total afronta aos direitos dos povos indígenas e à missão institucional destes órgãos.

O fortalecimento e ampliação da participação das mulheres nos diferentes espaços de decisão nas comunidades e organizações é uma prioridade do movimento indígena, bem como a formação e envolvimento de jovens nas lutas iniciadas por nossas gerações passadas.

Queremos participar da construção da reforma do sistema político brasileiro de forma que venha a considerar a diversidade dos diversos segmentos da sociedade. Somos veementemente contra o modelo apresentado pelo Congresso Nacional, conhecido como “distritão”, que visa reduzir ainda mais a pluralidade de interesses e segmentos existentes no País.

A participação indígena em cargos eletivos dos Poderes Legislativo e Executivo e a discussão sobre a política partidária também são prioridades do movimento indígena, bem como a presença indígena em postos do Poder Judiciário. A conquista desses espaços não deve ser confundida com a necessidade de se avançar na construção de formas de autogestão dos territórios indígenas e de que as mesmas sejam reconhecidas pelo Estado brasileiro e incorporadas à sua organização. Neste sentido, o debate sobre esses temas deve ser fortalecido nas comunidades e organizações indígenas.

Afirmamos que seguiremos unidos na luta pela demarcação, autogestão e sustentabilidade de nossos territórios, e ressaltamos nossa confiança no Poder Judiciário Brasileiro, última instância de esperança para os povos indígenas. Conclamamos, ainda, os organismos internacionais a acompanhar de perto o gravíssimo momento político vivenciado pelos povos indígenas no Brasil, dentro e fora da Amazônia. Pedimos ao povo brasileiro, aos povos e nações do mundo que não se omitam diante das seculares violências praticadas contra nossos povos e que se juntem a nós na luta por nossos direitos e nossos territórios. Resistimos, lutamos e exigimos justiça já!

Aldeia Sede, Terra Indígena Alto Rio Guamá, 30 de agosto de 2017.
Compõem este documento as cartas das regiões que formam a COIAB.

NOTA DO MOVIMENTO INDÍGENA DO CEARÁ EM SOLIDARIEDADE AO POVO PITAGUARY, AO INDÍGENA MAURÍCIO ALVES E AS LIDERANÇAS TRADICIONAIS PITAGUARY

NOTA DO MOVIMENTO INDÍGENA DO CEARÁ EM SOLIDARIEDADE AO POVO PITAGUARY, AO INDÍGENA MAURÍCIO ALVES E AS LIDERANÇAS TRADICIONAIS PITAGUARY

O Movimento Indígena Organizado do Estado do Ceará, vem através de suas organizações representativas: APOINME/CE, COPICE, OPRINCE, AMICE e COJICE manifestar solidariedade ao Povo Pitaguary a onda de violência que tem tomado conta de suas comunidades, especialmente aos ataques contra as legítimas lideranças tradicionais do Povo Pitaguary.

Na madrugada desse domingo o parente Pitaguary Maurício Alves Feitosa foi covardemente atacado por dois elementos ainda sem identificação que ateou fogo em sua casa enquanto dormia. Ao perceber que sua casa estava em chamas tentou evadir-se do local e acabou se deparando com os dois criminosos ainda sem identificação que atearam fogo em seu corpo. Graças a Pai Tupã e ao socorro eficiente o parente passa bem e em processo de reabilitação. Não queremos que esse caso seja apenas mais um a entrar nas estatísticas de impunidade no Território Pitaguary.

É público e notório a sensação de impunidade que tem gerado revolta no interior da Terra Indígena Pitaguary localizada nos municípios de Pacatuba e Maracanaú no Ceará. Nos últimos anos, ações criminosas patrocinadas por grupos políticos da região de Maracanaú e Pacatuba, envolvendo inclusive indígenas tem provocado terror e medo em grande parte das Comunidades Indígenas locais. Episódios de ameaças, cárcere privados, golpes de facão e agora essa brutal ação de incendiar uma casa com um parente dentro só reforça a nossa indignação pela total omissão das instituições que deveriam zelar pela integridade física das legítimas lideranças indígenas Pitaguary.

Diversas ocorrências foram registradas nas delegacias da região, denúncias formalizadas junto a Fundação Nacional do Índio – FUNAI e no Ministério Público Federal e Polícia Federal mas pouco se fez com relação aos casos narrados e tantos outros que ficaram na impunidade.

Não aceitaremos que as instituições continue omissas sem apurar esses casos. Lutaremos para que esse crime seja investigado, elucidado e os responsáveis por tamanha brutalidade sejam exemplarmente punidos.

Pelo direito de viver e lutar, somos todos e todas Pitaguary!

Repúdio contra indicações político partidárias no comando das DISEI no Brasil

Repúdio contra indicações político partidárias no comando das DISEI no Brasil

Os povos e organizações indígenas do território indígena do Xingu – TIX – enviaram cartas de repúdio ao Governo Federal mediante mudanças nas coordenações das DISEI – Distrito Sanitários Especiais Indígenas – por motivos politico partidários. No Mato Grosso, uma das coordenadoras que foi amplamente solicitada pelos povos por ser de origem indígena foi exonerada do cargo na DISEI Xingu. Isso desrespeita o direito de consulta aos povos, garantido pela Convenção 169 da OIT, e são decisões arbitrárias e antidemocráticas.

Na semana passada, lideranças estiveram em Brasília em reunião com presidente da FUNAI e secretário da SESAI e pediram a revogação da portaria, e até hoje não foram atendidos.

Leia as cartas enviadas pelos povos  Carta ATIX nº 030 – 2017 e  Carta ATIX nº 029 – 2017